{"id":6747,"date":"2023-04-16T20:57:42","date_gmt":"2023-04-16T20:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=6747"},"modified":"2023-04-16T21:09:20","modified_gmt":"2023-04-16T21:09:20","slug":"agressivas-palometas-ameacam-a-pesca-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/agressivas-palometas-ameacam-a-pesca-no-rs\/","title":{"rendered":"Agressivas, palometas amea\u00e7am a pesca no RS"},"content":{"rendered":"\n<p>Da mesma fam\u00edlia das piranhas, a esp\u00e9cie predadora, que se alimenta de outros pescados, vem se espalhando pelas \u00e1guas do Gua\u00edba e da foz dos rios Jacu\u00ed e dos Sinos<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o bastasse a constante preocupa\u00e7\u00e3o dos pescadores da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre com a estiagem e a consequente baixa dos rios, outro inconveniente est\u00e1 novamente presente nas \u00e1guas do Gua\u00edba e da foz dos rios Jacu\u00ed e dos Sinos. As pequenas, carn\u00edvoras e insaci\u00e1veis palometas, peixes da mesma fam\u00edlia das piranhas, est\u00e3o se alimentando dos poucos exemplares dos demais pescados, como as tra\u00edras, at\u00e9 ent\u00e3o dispon\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e aos moradores locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano \u00e9 o terceiro seguido no qual estes animais invasores, nativos da bacia do rio Uruguai, e cujo nome cient\u00edfico \u00e9 Serrasalmus maculatus, est\u00e3o nas \u00e1guas desta regi\u00e3o. \u201cQuando elas n\u00e3o comem o peixe inteiro, deixam marcas nele que parecem mordidas em uma ma\u00e7\u00e3\u201d, diz o pescador Alex Meine Luzia, 47 anos, morador da Ilha Grande dos Marinheiros. Em uma sacola pl\u00e1stica no freezer de sua resid\u00eancia, de frente para o Jacu\u00ed, repousava uma caracter\u00edstica palometa congelada de cor amarela. \u201cGuardamos para alertar as crian\u00e7as de que n\u00e3o devem entrar na \u00e1gua\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, capturar estas predadoras, tamb\u00e9m conhecidas como piranhas vermelhas, para o consumo humano, \u00e9 algo invi\u00e1vel \u00e0 grande parte destes moradores. \u201cElas t\u00eam muitas espinhas e s\u00f3 d\u00e1 para tirar delas um fil\u00e9 muito pequeno\u201d, diz Alex. Por isso, geralmente a carne \u00e9 distribu\u00edda aos animais dom\u00e9sticos. Embora as palometas apare\u00e7am de forma constante desde 2022, foi na virada deste ano que a presen\u00e7a delas explodiu. Vizinhos de Alex dizem que h\u00e1 quem tenha pego mais de duas dezenas em apenas uma pescaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Moradora pr\u00f3xima, Margarida Cristina de Menezes, 57, pratica a atividade pesqueira artesanal desde sempre. Mas nunca tinha visto nada igual. \u201cVem s\u00f3 isso quando estamos pescando. Ela est\u00e1 espalhada por a\u00ed. \u00c0s vezes, pegamos cinco de uma vez, at\u00e9 filhotes. Algumas t\u00eam ovas dentro. Se voc\u00ea jogar uma rede de malha, em meia hora captura ao menos uma\u201d, diz. O mesmo \u00e9 dito pela Col\u00f4nia de Pescadores Z-5, na Ilha da Pintada, cujos representantes relataram receber relatos de pesca de exemplares pequenos de palometas e fotos da situa\u00e7\u00e3o a partir de seus associados diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na praia do Paquet\u00e1, em Canoas, onde h\u00e1 diversas moradias de pescadores junto ao rio dos Sinos, poucos s\u00e3o os que ainda n\u00e3o tiveram contato com estes animais nos \u00faltimos meses. Quase sempre, quem leva a pior s\u00e3o os humanos, eventualmente v\u00edtimas de mordidas destes invasores agressivos. \u201cQuando vi, uma delas me agarrou no dedo e deixou uma marca no anelar. A dor \u00e9 insuport\u00e1vel\u201d, comenta o pescador Claudiomar Oliveira Santos, 32 anos, que capturou uma em sua rede e ficou com um ferimento na m\u00e3o como resultado do confronto, ocorrido h\u00e1 algumas semanas. \u201cN\u00e3o fui ao m\u00e9dico, vou deixar curando sozinho. J\u00e1 est\u00e1 melhorando\u201d, contou ele. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 da Ilha Grande dos Marinheiros, onde pescadores relatam que n\u00e3o houve relatos de ataques a humanos at\u00e9 o momento. Na praia do Paquet\u00e1, popular destino tur\u00edstico pr\u00f3ximo de Porto Alegre, h\u00e1 quem mantenha exemplares vivos em aqu\u00e1rios. Assim como na Ilha Grande dos Marinheiros, tamb\u00e9m alguns congelaram as piranhas vermelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros trabalhadores ligados \u00e0 pesca na \u00e1rea relatam ter coletado outros peixes com marcas caracter\u00edsticas de mordidas das palometas, vivos ou mortos. A pescadora Sueli Martins de Oliveira, m\u00e3e de Claudiomar, foi uma delas. \u201cA gente pega direto aqui. Mas eu consigo comer. D\u00e1 um fil\u00e9 delicioso\u201d, afirma Sueli, que inclusive tem a receita para se livrar delas. \u201c\u00c9 preciso apertar na cabe\u00e7a dela at\u00e9 que solte.\u201d\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) com p\u00f3s-doutorado em Zoologia, Luiz Roberto Malabarba traz um horizonte nebuloso quanto \u00e0 presen\u00e7a destes animais na regi\u00e3o. \u201cDevido ao sucesso na invas\u00e3o da palometa na bacia do Jacu\u00ed e Laguna dos Patos, podemos esperar uma multiplica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em um futuro breve, at\u00e9 que ela atinja uma estabilidade no ecossistema\u201d, destaca ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA presen\u00e7a de uma nova esp\u00e9cie no ecossistema pode causar impactos sobre as popula\u00e7\u00f5es de outros peixes, inclusive de import\u00e2ncia econ\u00f4mica, diminuindo a pesca de outras esp\u00e9cies.\u201d Malabarba, que tamb\u00e9m \u00e9 ex-presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI), concorda que as palometas podem trazer preju\u00edzos econ\u00f4micos \u00e0s fam\u00edlias dependentes da pesca. \u201cAtaques a peixes capturados por pescadores reduzem o seu valor comercial ou mesmo reduzem a captura de pescado para subsist\u00eancia\u201d, comenta ele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conex\u00e3o entre bacias pode ter provocado prolifera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O primeiro registro cient\u00edfico das palometas em territ\u00f3rio ga\u00facho ocorreu em 1983, quando os pesquisadores Maria Lacy Wies, Ilca Bossemeyer e Maria de Lourdes Bier, ent\u00e3o do Departamento de Biologia do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas (CCNE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e Horst Oscar Lippold, do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ci\u00eancias Rurais da mesma institui\u00e7\u00e3o, publicaram artigo em que realizaram levantamento da fauna ictiol\u00f3gica em quatro pontos do rio Ibicu\u00ed-Mirim e localizaram 33 exemplares.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, a maior parte das palometas foi coletada no encontro entre o Ibicu\u00ed-Mirim com o rio Santa Maria, na altura de Cacequi, portanto ainda na \u00e1rea da bacia do Uruguai. J\u00e1 em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia (PPGGEO) da UFSM, publicada em 2015, o pesquisador Tiago Rossi de Moraes afirmou que j\u00e1, naquele ano, as palometas circulavam pelo rio Vacaca\u00ed, conforme relatado por pescadores locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em artigo publicado em 2022 no peri\u00f3dico internacional Journal of Fish Biology, Malabarba, Moraes e outros pesquisadores sugerem que a transposi\u00e7\u00e3o entre esp\u00e9cies entre as bacias do rio Uruguai e do Vacaca\u00ed se deu em pontos a sudoeste do munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel, onde h\u00e1 barragens de irriga\u00e7\u00e3o conectadas. \u201cEsta conex\u00e3o artificial \u00e9 provavelmente um dos v\u00e1rios locais potenciais de transposi\u00e7\u00e3o que permitem a dispers\u00e3o de peixes entre as duas bacias hidrogr\u00e1ficas. Esta conex\u00e3o \u00e9 facilitada durante o inverno, quando o n\u00edvel da \u00e1gua nas barragens \u00e9 maior\u201d, afirma o artigo, originalmente em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m aponta que, em alguns locais do pa\u00eds por onde passaram, como a bacia dos rios Paran\u00e1 e Doce, as palometas provocaram \u201cdecr\u00e9scimo de diversidade\u201d e at\u00e9 \u201cextin\u00e7\u00f5es locais em \u00e1reas protegidas\u201d. A Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) afirmam trabalhar em conjunto para monitorar a presen\u00e7a das palometas nas bacias ga\u00fachas. No entanto, a maior responsabilidade \u00e9 do \u00f3rg\u00e3o federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O analista ambiental do Ibama no Rio Grande do Sul Mauricio Vieira de Souza, que tamb\u00e9m estuda as palometas, afirma que o problema destes animais em territ\u00f3rio ga\u00facho iniciou \u201ccom razo\u00e1vel certeza\u201d a partir da contamina\u00e7\u00e3o entre as bacias do Santa Maria e Vacaca\u00ed, em data incerta. \u201cN\u00e3o existem t\u00e9cnicas suficientes para erradicarmos este animal. Teremos que conviver com ele para sempre, isto \u00e9 um fato. Por isso executamos este monitoramento. Quando come\u00e7ou o problema, entramos em contato com todo mundo e, mesmo com as universidades, n\u00e3o havia, como ainda n\u00e3o h\u00e1, uma t\u00e9cnica efetiva de elimina\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que diz o plano estadual&nbsp;sobre controle de palometa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel, o caminho para controlar a popula\u00e7\u00e3o destes indesej\u00e1veis animais \u00e9 bastante conhecido pelos pesquisadores, passando, em primeiro lugar, pela preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio dos ecossistemas. As palometas est\u00e3o inclu\u00eddas no Programa Estadual de Controle de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras (Invasoras RS), da Sema. Em 2021, inclusive, o governo do Estado iniciou as atividades do Plano Estadual de Preven\u00e7\u00e3o, Controle e Monitoramento da invas\u00e3o biol\u00f3gica pela esp\u00e9cie Serrasalmus maculatus, coordenado pela engenheira florestal Raquel Pretto, da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam).<\/p>\n\n\n\n<p>O plano em si estabelece cinco componentes ou eixos. Primeiro, revisar a base legal e propor normas para viabilizar medidas de preven\u00e7\u00e3o, erradica\u00e7\u00e3o, controle e mitiga\u00e7\u00e3o de impactos desta esp\u00e9cie, estabelecendo coopera\u00e7\u00f5es com setores de governo, ONGs, institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, bem como o setor privado. Depois, criar medidas para prevenir a introdu\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o das palometas, com destaque para desenvolver e estabelecer detec\u00e7\u00e3o precoce e respostas r\u00e1pidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro item \u00e9 p\u00f4r em pr\u00e1tica estes projetos, realizando tamb\u00e9m seu monitoramento. Quarto, fomentar a pesquisa cient\u00edfica sobre o assunto, identificando o impacto destes peixes tanto no \u00e2mbito socioecon\u00f4mico quanto na biodiversidade e em ecossistemas, com apoio de universidades e do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Por \u00faltimo, desenvolver a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre a palometa para diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A\u00e7\u00f5es para reduzir impactos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em maio de 2021, a esp\u00e9cie tamb\u00e9m foi tema de audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Agricultura, Pecu\u00e1ria, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, ap\u00f3s pedido da C\u00e2mara Municipal de Sobradinho. Na ocasi\u00e3o, especialistas j\u00e1 haviam expressado preocupa\u00e7\u00e3o a respeito da \u201cvelocidade impressionante\u201d com que o animal havia se proliferado na bacia do Jacu\u00ed, a meio caminho entre o rio Uruguai e a Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Balne\u00e1rios tur\u00edsticos inclusive foram desativados em raz\u00e3o da presen\u00e7a do peixe. No mesmo m\u00eas, em reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o de Agricultura, Pecu\u00e1ria, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da C\u00e2mara dos Deputados, o ent\u00e3o parlamentar Jer\u00f4nimo Goergen relatou que havia um \u201cavan\u00e7o enorme da palometa aqui na regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Gua\u00edba\u201d e que os pescadores tinham um \u201cm problema terr\u00edvel de renda\u201d em raz\u00e3o de sua prolifera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, em junho do ano passado, o Cons\u00f3rcio Pr\u00f3-Sinos fez um importante movimento, por meio de um semin\u00e1rio realizado na C\u00e2mara Municipal de Esteio. Nele, pesquisadores, pescadores, representantes da Defesa Civil, Sema, Emater e Minist\u00e9rio P\u00fablico, entre outros \u00f3rg\u00e3os, discutiram o problema e aventaram poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es. Procurado, o cons\u00f3rcio afirmou que est\u00e1 \u201cmonitorando e acompanhando a situa\u00e7\u00e3o\u201d e que criou um grupo de trabalho espec\u00edfico sobre as palometas em 2022. A alta incid\u00eancia destes animais chamou a aten\u00e7\u00e3o da Defesa Civil de Cachoeira do Sul, no Vale do Rio Pardo.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano retrasado, o \u00f3rg\u00e3o desenvolveu o pioneiro levantamento municipal voltado ao mapeamento das palometas no RS, que foi apresentado no semin\u00e1rio do Pr\u00f3-Sinos. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o havia relatos da presen\u00e7a das palometas na bacia do rio Jacu\u00ed. Com o surgimento delas em v\u00e1rias regi\u00f5es, o Ibama lan\u00e7ou um question\u00e1rio on-line \u00e0s pessoas que as tivessem capturando. S\u00f3 que isso \u00e9 pauta da Defesa Civil, quando traz transtornos econ\u00f4micos ou f\u00edsicos para as pessoas. Entendemos que este question\u00e1rio era uma realidade distante do pescador\u201d, afirma o agente da Defesa Civil de Cachoeira do Sul, Cristiano Garcia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, a partir da\u00ed, o \u00f3rg\u00e3o municipal agiu auxiliando em campo este processo de monitoramento. \u201cFizemos os questionamentos para as pessoas, registramos, fizemos as estat\u00edsticas em gr\u00e1ficos e reenviamos ao Ibama\u201d, diz Garcia. O relat\u00f3rio revelou, por exemplo, 14 pontos mapeados com a presen\u00e7a de piranhas vermelhas em Cachoeira do Sul. Ao todo, 277 unidades foram capturadas na ocasi\u00e3o, sendo 104, ou mais de 37% delas, somente pr\u00f3ximas \u00e0 localidade de Pertille, no Arroio Vacaca\u00ed, e 163 exemplares ao longo do rio Jacu\u00ed.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m 204 palometas apresentavam ovas, 73% do total mensurado. E atualmente, como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o? \u201cN\u00e3o tem havido incid\u00eancia, a n\u00e3o ser de danos aos pescadores pelos peixes que est\u00e3o nas redes e espinh\u00e9is e s\u00e3o comidos pelas palometas. Mas a captura, sim, tem se tornado frequente\u201d, aponta ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Instituto Curicaca refor\u00e7a que a gest\u00e3o da infesta\u00e7\u00e3o deve ser conjunta<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O coordenador t\u00e9cnico e de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Instituto Curicaca, voltado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental, Alexandre Krob, refor\u00e7a que a gest\u00e3o da infesta\u00e7\u00e3o das palometas nas bacias do Jacu\u00ed e Laguna dos Patos \u00e9 de responsabilidade conjunta e complementar entre Sema e Ibama. \u201cA Sema tem obriga\u00e7\u00e3o de agir por causa do impacto ecol\u00f3gico e socioecon\u00f4mico na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Delta do Jacu\u00ed e no Parque Estadual Delta do Jacu\u00ed, \u00e1rea diretamente afetada pela contamina\u00e7\u00e3o com a palometa. Estas iniciativas s\u00e3o necessariamente com a participa\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es\u201d, comenta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas palavras de Krob, \u201co problema vem aumentando enquanto h\u00e1 morosidade\u201d. \u201cInclusive os pescadores prejudicados deveriam estar participando por meio de suas representa\u00e7\u00f5es. Houve uma tentativa de pesquisadores da Divis\u00e3o de Pesquisas e Manuten\u00e7\u00e3o de Cole\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas da Sema em realizarem um projeto de monitoramento da invas\u00e3o da palometa, em parceria com a Ufrgs e a UFSM, mas n\u00e3o houve interesse da secretaria. As causas delas terem alcan\u00e7ado estas bacias est\u00e3o bem documentadas h\u00e1 tempo, mas medidas de ajuste e redu\u00e7\u00e3o de fontes n\u00e3o foram adotadas\u201d, relata o coordenador do Instituto Curicaca.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Guia Digital de Identifica\u00e7\u00e3o de Peixes de \u00c1gua Doce do RS, tamb\u00e9m da Ufrgs, h\u00e1 outro exemplar da fam\u00edlia Serrasalmidae circulando pela regi\u00e3o: a piranha, de nome cient\u00edfico Pygocentrus nattereri, tamb\u00e9m est\u00e1 presente, mas apenas na chamada ecorregi\u00e3o do baixo Uruguai, correspondente a fronteira-oeste do Rio Grande do Sul at\u00e9 o munic\u00edpio de Santa Maria, o oeste do Uruguai e toda a fronteira argentina com o RS e o territ\u00f3rio uruguaio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a palometa ocorre nas ecorregi\u00f5es baixo e alto Uruguai, esta \u00faltima englobando uma \u00e1rea geogr\u00e1fica entre a fronteira argentina com Santa Catarina, norte ga\u00facho at\u00e9 Passo Fundo, al\u00e9m do oeste e sul catarinenses. A principal diferen\u00e7a entre ambas as esp\u00e9cies \u00e9 o formato da cabe\u00e7a. Enquanto a palometa tem perfil c\u00f4ncavo, com olhos e boca mais pronunciados, a piranha apresenta perfil convexo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>OUTROS INVASORES<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A palometa n\u00e3o \u00e9 o primeiro caso de invas\u00e3o de esp\u00e9cies de peixes ex\u00f3ticas em bacias do Rio Grande do Sul. Outros mais not\u00e1veis, e igualmente registrados pela Ufrgs e Sema incluem o peixe-cachorro (Acestrorhynchus pantaneiro), o porrudo (Trachelyopterus lucenai), e a corvina-de-\u00e1gua-doce (Pachyurus bonariensis), todos eles nativos da bacia do rio Uruguai e que teriam sido detectados nos \u00faltimos 20 a 30 anos, inclusive no Litoral Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois primeiros \u201cprovavelmente\u201d, afirmam os pesquisadores, sa\u00edram da bacia do rio Uruguai e viajaram via conex\u00e3o artificial entre a lagoa do Casamento, na bacia da laguna dos Patos, e a lagoa Fortaleza, j\u00e1 na bacia do rio Tramanda\u00ed. \u201cCaso essas rotas artificiais de dispers\u00e3o n\u00e3o sejam investigadas e interrompidas, \u00e9 previs\u00edvel que as palometas venham a invadir as lagoas costeiras do Litoral Norte em um futuro pr\u00f3ximo\u201d, diz o artigo publicado, que destaca o alerta para as piranhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disto, dizem os pesquisadores, assim como elas, h\u00e1 quase 200 esp\u00e9cies de peixes que atualmente ocorrem na bacia do rio Uruguai e n\u00e3o haviam sido detectados no Jacu\u00ed. A Sema publicou, em 31 de outubro de 2013, a portaria 79, que oficializa a lista de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras no Rio Grande do Sul. A lista teve recursos do Fundo Global do Meio Ambiente (GEF), por meio do Banco Mundial (BID), no \u00e2mbito do Projeto RS Biodiversidade \u2013 Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade como Fator de Contribui\u00e7\u00e3o ao Desenvolvimento do RS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jpg-_32_.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6749\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jpg-_32_.jpg 900w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jpg-_32_-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/jpg-_32_-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No caso dos peixes, foram dez esp\u00e9cies, todas origin\u00e1rias da Am\u00e9rica do Norte, \u00c1frica e \u00c1sia, como a carpa (Cyprinus carpio), a til\u00e1pia (Coptodon rendalli) e a carpa-capim (Ctenopharyngodon idella). As palometas n\u00e3o est\u00e3o na listagem original, pois foram descobertas mais tarde no Estado, assim como outros duas esp\u00e9cies tamb\u00e9m assim consideradas e encontradas no sistema da Lagoa dos Patos: o salm\u00e3o, de nome cient\u00edfico Oncorhynchus tshawytscha, nativo do Pac\u00edfico Norte e \u00c1rtico, e o esturj\u00e3o Acipenser gueldenstaedtii, nativo do Atl\u00e2ntico Leste, Europa e Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Esp\u00e9cies invasoras nos mares do Brasil<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Pesquisadores relatam que est\u00e3o preocupados com a presen\u00e7a de outras duas esp\u00e9cies nos mares brasileiros, ambas origin\u00e1rias dos oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico, e com alta adapta\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia, bem como capacidade de altera\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. Uma delas \u00e9 o peixe-le\u00e3o, detectado em 1985, na costa da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos, e, em 2015, localizado na regi\u00e3o de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, de acordo com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), h\u00e1 registros dela em uma \u00e1rea do Brasil que vai dos estados do Par\u00e1 a Pernambuco. \u201cA presen\u00e7a do peixe-le\u00e3o reduz a riqueza dos recifes, pois ele consome muitos peixes jovens, inclusive v\u00e1rios de interesse comercial, prejudicando turismo e pesca\u201d, disse em 2015 o pesquisador e professor do curso de Engenharia de Pesca da Unidade de Penedo da UFAL, Cl\u00e1udio Sampaio.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, col\u00f4nias de coral-sol, conhecido por subjugar outras esp\u00e9cies, foram encontradas por pesquisadores do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Diversidade Biol\u00f3gica e Conserva\u00e7\u00e3o dos Tr\u00f3picos da Ufal e do Projeto Corais do Brasil e ICMBio &#8211; Reserva Extrativista Marinha da Lagoa de Jequi\u00e1, em Lagoa Azeda, Alagoas, em 2022. Por\u00e9m, h\u00e1 ind\u00edcios de que a esp\u00e9cie j\u00e1 estava no local havia mais de tr\u00eas anos. Os especialistas da universidade recomendam que outros cientistas e mergulhadores, caso localizem as esp\u00e9cies, n\u00e3o capturem ou removam de seus locais originais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pessoas feridas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ataques de palometas costumam preocupar autoridades da Argentina. Na cidade de Santa F\u00e9, na prov\u00edncia de mesmo nome, de acordo com a imprensa local, a prefeitura proibiu o banho na popular lagoa Set\u00fabal, especialmente na praia de Costanera Este, ap\u00f3s ao menos 15 pessoas terem sido mordidas por tr\u00eas esp\u00e9cies de palometas no \u00faltimo final de janeiro \u2013 al\u00e9m da Serrasalmus maculatus, tamb\u00e9m a Serrasalmus marginatus e a Pygocentrus nattereri.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2021, outro ataque deixou mais de 30 feridos no local, entre elas, uma adolescente de 13 anos que terminou com um dedo do p\u00e9 amputado. No ano de 2013, pelo menos 70 pessoas procuraram centros de sa\u00fade em Ros\u00e1rio, na Argentina, depois de serem atacadas pelos peixes carn\u00edvoros em outro balne\u00e1rio local. J\u00e1 em 2012, 20 pessoas ficaram feridas ap\u00f3s ataques no munic\u00edpio de Toropi, na regi\u00e3o central do RS.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, a esp\u00e9cie atacante foi identificada como a Chloroscombrus chrysurus, que pode ser conhecida como palometa ou palombeta, por\u00e9m, seu habitat costuma ser \u00e1guas salgadas. O termo \u201cpalometa\u201d em si descreve n\u00e3o apenas a Serrasalmus maculatus, mas costuma nomear peixes com caracter\u00edsticas semelhantes, a exemplo de uma forma achatada e arredondada, bem como dentes afiados e serrilhados, em diversas regi\u00f5es do planeta. A esp\u00e9cie que preocupa os pesquisadores ga\u00fachos foi identificada cientificamente pela primeira vez no planeta em 1858, pelo icti\u00f3logo austr\u00edaco Rudolf Kner, e foi ent\u00e3o nomeada inicialmente como Serrasalmus spiropleura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ap\u00f3s uma revis\u00e3o do pesquisador franc\u00eas Michel J\u00e9gu no ano de 2003, houve a mudan\u00e7a para o nome atual. De acordo com artigo publicado no boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia, as palometas costumam circular em cardumes de at\u00e9 20 indiv\u00edduos, e podem alcan\u00e7ar at\u00e9 34,5 cent\u00edmetros de comprimento total na fase adulta. Ainda conforme o artigo, elas t\u00eam h\u00e1bitos principalmente diurnos, e seus h\u00e1bitos alimentares incluem outros peixes, por\u00e9m podem explorar uma ampla variedade de recursos alimentares, a exemplo de artr\u00f3podes e at\u00e9 mesmo vegetais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se inscreva em nosso canal do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@tvnativoos\">youtube.com\/@tvnativoos<\/a><\/strong>, curta nossa p\u00e1gina no\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tvnativoos\">facebook<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvnativoos\/\">instagram<\/a><\/strong>\u00a0e veja nossa programa\u00e7\u00e3o ao vivo pelo canal 6 da Claro Net ou pelo portal\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">tvnativoos.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal Correio do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da mesma fam\u00edlia das piranhas, a esp\u00e9cie predadora, que se alimenta de outros pescados, vem se espalhando pelas \u00e1guas do Gua\u00edba e da foz dos rios Jacu\u00ed e dos Sinos N\u00e3o bastasse a constante preocupa\u00e7\u00e3o dos pescadores da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre com a estiagem e a consequente baixa dos rios, outro inconveniente est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6748,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[1229,139,822,298,74,65],"class_list":["post-6747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-jacui","tag-pesca","tag-rio","tag-saude","tag-turismo","tag-tvnativoos"],"cc_featured_image_caption":{"caption_text":"Palometa-foto folha do mate-reprodu\u00e7\u00e3o TV Nativoos","source_text":"","source_url":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6747"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6751,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6747\/revisions\/6751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}