{"id":6255,"date":"2023-04-02T15:22:04","date_gmt":"2023-04-02T15:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=6255"},"modified":"2023-04-02T15:22:08","modified_gmt":"2023-04-02T15:22:08","slug":"as-familias-e-o-autismo-pais-falam-sobre-o-impacto-do-diagnostico-as-terapias-e-a-busca-pela-conscientizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/as-familias-e-o-autismo-pais-falam-sobre-o-impacto-do-diagnostico-as-terapias-e-a-busca-pela-conscientizacao\/","title":{"rendered":"As fam\u00edlias e o autismo: pais falam sobre o impacto do diagn\u00f3stico, as terapias e a busca pela conscientiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Confira sinais de alerta e saiba como esse transtorno do neurodesenvolvimento \u00e9 identificado<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo \u00e9 celebrado neste domingo (2). Leiam as hist\u00f3rias de tr\u00eas fam\u00edlias: a de Benjamin, quatro anos, a de Theodoro, oito, e a de Guilherme, 15. Nas reportagens, m\u00e3es e pais falam sobre o impacto do diagn\u00f3stico, a rotina com diversas terapias, os desafios de cada fase e a busca por inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia Thiago Rocha, que \u00e9 coordenador do Centro Especializado em Neurodesenvolvimento Infantil (CENI) do Hospital Moinhos de Vento, o autismo, hoje chamado de transtorno do espectro autista (TEA), \u00e9 um transtorno do neurodesenvolvimento, em que h\u00e1 altera\u00e7\u00f5es do processo de desenvolvimento e comunica\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas cerebrais. \u00c9 caracterizado por dois eixos principais de sintomas: um nas \u00e1reas de intera\u00e7\u00e3o social e comunica\u00e7\u00e3o e outro relacionado \u00e0 presen\u00e7a de um padr\u00e3o de comportamentos ou interesses mais restritos e repetitivos. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, crian\u00e7as com TEA podem ter dificuldade na conex\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com outras pessoas ao seu redor, inclusive seus pais, podendo apresentar menor contato visual ou responder pouco \u00e0s tentativas de intera\u00e7\u00e3o, afirma Thiago. Dentro desse eixo, h\u00e1 muitas situa\u00e7\u00f5es em que o primeiro sinal identificado por pais ou respons\u00e1veis \u00e9 um atraso ou uma n\u00e3o progress\u00e3o do desenvolvimento da fala. Marta Hemb, m\u00e9dica neuropediatra e doutora em neuroci\u00eancias pela\u00a0<strong>PUCRS<\/strong>\u00a0e pela Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles, enfatiza, contudo, que, atualmente, se sabe que muitos autistas falam e olham nos olhos, a diferen\u00e7a \u00e9 que apresentam socializa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o falhas ou inadequadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no segundo eixo, \u00e9 poss\u00edvel perceber um interesse muito insistente por determinadas coisas. Isso se apresenta em uma dificuldade de alternar brincadeiras e assuntos ou em manifesta\u00e7\u00f5es corporais diferentes, como balan\u00e7ar o corpo e sacudir as m\u00e3os de forma repetitiva.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, crian\u00e7as com TEA apresentam altera\u00e7\u00f5es na forma como seu c\u00e9rebro amadurece e se desenvolve. Isso nos ajuda a entender n\u00e3o apenas as dificuldades de intera\u00e7\u00e3o e comportamento, mas tamb\u00e9m a ocorr\u00eancia de dificuldades em outras \u00e1reas, como na \u00e1rea psicol\u00f3gica, psiqui\u00e1trica ou motora, as quais costumam ser chamadas de comorbidades \u2014 afirma o especialista, que tamb\u00e9m \u00e9 doutor em Psiquiatria e Ci\u00eancias do Comportamento pela UFRGS. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais de alerta podem variar de acordo com cada per\u00edodo do desenvolvimento e devem servir como motiva\u00e7\u00e3o para buscar por um atendimento especializado. Como exemplos, Thiago cita a maior prefer\u00eancia por objetos do que pessoas, a menor express\u00e3o facial ou das emo\u00e7\u00f5es na crian\u00e7a, baixo contato visual, falta de iniciativa de come\u00e7ar intera\u00e7\u00e3o com adultos e n\u00e3o buscar o olhar da m\u00e3e e do pai. O especialista ressalta que, dentro de cada fase, diferentes aspectos v\u00e3o aparecendo e que o momento de percep\u00e7\u00e3o clara dos sintomas depende da intensidade com que o transtorno se manifesta. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diagn\u00f3stico<\/h2>\n\n\n\n<p>Para o diagn\u00f3stico, as crian\u00e7as n\u00e3o precisam apresentar necessariamente todos os sinais, mas, em geral, s\u00e3o ao menos tr\u00eas, segundo Marta: alguma dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o e de socializa\u00e7\u00e3o e algum comportamento repetitivo ou padr\u00e3o obsessivo. Ela acrescenta ainda um ponto considerado muito importante, que s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es de processamento sensorial, que se manifestam de diferentes formas em todos os autistas.\u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O diagn\u00f3stico sempre vai necessitar de uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e, cada vez mais, a literatura cient\u00edfica e a experi\u00eancia cl\u00ednica mostram que \u00e9 fundamental que essa avalia\u00e7\u00e3o seja multiprofissional \u2014 diz Thiago.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preval\u00eancia, o especialista do Hospital Moinhos de Vento afirma que n\u00e3o h\u00e1 dados espec\u00edficos no Brasil e comenta que os n\u00fameros do Centro de Controle de Preven\u00e7\u00e3o e Doen\u00e7as (CDC), do governo dos Estados Unidos, s\u00e3o atualizados a cada dois anos com os registros de diagn\u00f3sticos ou de situa\u00e7\u00f5es sugestivas de diagn\u00f3sticos em crian\u00e7as de at\u00e9 oito anos, que costumam servir como um norteador dos n\u00fameros de diagn\u00f3stico no pa\u00eds. A \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o, com base em dados coletados em 2020 e publicada neste ano, indica que a frequ\u00eancia seria de uma crian\u00e7a autista a cada 36 que n\u00e3o apresentam a condi\u00e7\u00e3o. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Thiago, mesmo sem n\u00fameros oficiais no Brasil, a percep\u00e7\u00e3o de aumento est\u00e1 relacionada a pelo menos tr\u00eas fatores: o primeiro \u00e9 uma mudan\u00e7a do sistema de classifica\u00e7\u00e3o do transtorno, que a partir de 2013 passou a englobar mais condi\u00e7\u00f5es embaixo do \u201cguarda-chuva\u201d chamado TEA. Isso ocorreu ao alterar os tipos de sintomas que seriam considerados para o diagn\u00f3stico, o que fez com que casos que seriam classificados de outras formas fossem englobados na mesma nomenclatura, permitindo que casos mais leves que antes n\u00e3o eram reconhecidos passassem a ser identificados. O segundo \u00e9 o aumento do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, que possibilita que muitas fam\u00edlias consigam detectar de forma mais precoce. J\u00e1 o \u00faltimo \u00e9 a modifica\u00e7\u00e3o de fatores de risco como a prematuridade e o aumento da idade materna e paterna: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Crian\u00e7as prematuras t\u00eam um risco aumentado de desenvolver transtorno espectro autista. A maior qualidade de assist\u00eancia neonatal para crian\u00e7as prematuras possibilitou que mais crian\u00e7as prematuras sobrevivessem. Ent\u00e3o, temos uma maior propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as que podem desenvolver esse quadro cl\u00ednico. Outro fator \u00e9 posterga\u00e7\u00e3o de muitas gesta\u00e7\u00f5es, com idades maternas e paternas mais velhas, que tamb\u00e9m tem se identificado como um fator de risco para aumento do TEA. \u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo MARTA HEMB &#8211; M\u00e9dica neuropediatra e doutora em neuroci\u00eancias n\u00e3o existe nenhum exame que nos fa\u00e7a definir se a crian\u00e7a tem autismo ou n\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, em que precisam existir algumas caracter\u00edsticas, sendo as principais dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e de socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a condi\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada multifatorial, mas com uma implic\u00e2ncia gen\u00e9tica muito importante, que representa mais de 90% dos casos, ressalta Marta. Por ser um transtorno, n\u00e3o \u00e9 considerado doen\u00e7a, mas sim uma defici\u00eancia, ent\u00e3o, consequentemente, n\u00e3o existe um tratamento \u00fanico ou cura. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O tratamento \u00e9 uma abordagem dos sintomas e dos sinais que incapacitam essas crian\u00e7as nos seus diferentes momentos e graus de severidade. O diagn\u00f3stico \u00e9 puramente cl\u00ednico, n\u00e3o existe nenhum exame que nos fa\u00e7a definir se a crian\u00e7a tem autismo ou n\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, em que precisam existir algumas caracter\u00edsticas, sendo as principais dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o e de socializa\u00e7\u00e3o \u2014 afirma a neurologista, refor\u00e7ando que a reabilita\u00e7\u00e3o precisa de uma equipe multidisciplinar com profissionais como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudi\u00f3logos.\u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Psicomotricidade, ecoterapia e musicoterapia tamb\u00e9m podem ser indicados, dependendo do n\u00edvel de suporte de cada crian\u00e7a. Marta aponta ainda que isso n\u00e3o significa que o indiv\u00edduo v\u00e1 precisar do mesmo suporte terap\u00eautico para o resto da vida, porque h\u00e1 avan\u00e7os. O melhor progn\u00f3stico, salienta, s\u00e3o das crian\u00e7as que t\u00eam a intelig\u00eancia preservada e, assim, conseguem respostas mais efetivas. A especialista cita tamb\u00e9m a quest\u00e3o da plasticidade cerebral: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quanto mais cedo fizermos esses diagn\u00f3sticos, mais cedo vamos come\u00e7ar a oferecer tratamentos. E quanto mais cedo oferecemos tratamentos para um c\u00e9rebro em desenvolvimento, maior a chance de o c\u00e9rebro conseguir se transformar. Ent\u00e3o, quanto mais cedo se fizer o diagn\u00f3stico, mais chance de sucesso nas terapias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se inscreva em nosso canal do\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@tvnativoos\">youtube.com\/@tvnativoos<\/a><\/strong>, curta nossa p\u00e1gina no\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tvnativoos\">facebook<\/a><\/strong>,\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvnativoos\/\">instagram<\/a><\/strong>\u00a0e veja nossa programa\u00e7\u00e3o ao vivo pelo canal 6 da Claro Net ou pelo portal\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">tvnativoos.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal Zero Hora e site Gaucha ZH <\/p>\n\n\n\n<p>Foto:Eliseu Didonet Neto e Debora Saueressig s\u00e3o pais de Benjamin, quatro anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA)Lauro Alves \/ Agencia RBS\/reprodu\u00e7\u00e3o TV Nativoos<\/p>\n\n\n\n<p> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira sinais de alerta e saiba como esse transtorno do neurodesenvolvimento \u00e9 identificado O Dia Mundial de Conscientiza\u00e7\u00e3o do Autismo \u00e9 celebrado neste domingo (2). 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