{"id":5506,"date":"2023-03-05T00:54:45","date_gmt":"2023-03-05T00:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=5506"},"modified":"2023-03-05T00:54:46","modified_gmt":"2023-03-05T00:54:46","slug":"saude-e-bem-estar-o-que-e-electroma-rede-do-corpo-humano-recem-descoberta-que-pode-revolucionar-tratamento-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/saude-e-bem-estar-o-que-e-electroma-rede-do-corpo-humano-recem-descoberta-que-pode-revolucionar-tratamento-do-cancer\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade e Bem Estar &#8211; O que \u00e9 electroma, rede do corpo humano rec\u00e9m-descoberta que pode revolucionar tratamento do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, muitas das pesquisas cient\u00edficas que tentaram desvendar o funcionamento do corpo humano concentraram-se em estudar tr\u00eas sistemas principais: o genoma, o proteoma e o microbioma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, muitas das pesquisas cient\u00edficas que tentaram desvendar o funcionamento do\u00a0corpo humano\u00a0concentraram-se em estudar tr\u00eas sistemas principais: o\u00a0genoma, o\u00a0proteoma\u00a0e o\u00a0microbioma.<\/p>\n\n\n\n<p>O genoma \u00e9 a\u00a0sequ\u00eancia de DNA\u00a0que todo organismo possui e cont\u00e9m sua informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica completa. J\u00e1 o proteoma \u00e9 o\u00a0conjunto de prote\u00ednas\u00a0fabricadas pelos genes \u2013 os \u201ctijolos essenciais\u201d da vida. E o microbioma \u00e9 o\u00a0ecossistema de micro-organismos\u00a0que vivem no corpo e s\u00e3o fundamentais para a sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7a agora a aumentar o interesse por outro sistema que \u00e9 fundamental para a vida, n\u00e3o s\u00f3 dos seres humanos, mas tamb\u00e9m das plantas e de outros animais:\u00a0<strong>a rede bioel\u00e9<\/strong>trica que faz os organismos funcionarem. Alguns cientistas come\u00e7aram a cham\u00e1-la de \u201celectroma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/44a4aaa135d9b46aee028ca879fa15d3.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-40\/html\/container.html\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cAssim como os sinais el\u00e9tricos sustentam as redes de comunica\u00e7\u00e3o do mundo, estamos descobrindo que eles fazem o mesmo no nosso corpo:&nbsp;a bioeletricidade \u00e9 a forma em que as nossas c\u00e9lulas se comunicam entre si\u201d, explica em um artigo recente no site da organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Nesta a divulgadora cient\u00edfica Sally Adee, especialista neste campo e autora do livro We Are Electric (\u201cSomos el\u00e9tricos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), lan\u00e7ado em fevereiro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas atribuem a Adee a cria\u00e7\u00e3o do neologismo \u201celectroma\u201d. Ela afirma que \u201cn\u00e3o podemos subestimar a forma total e absoluta em que todos os seus movimentos, percep\u00e7\u00f5es e pensamentos \u2013 e os meus \u2013 s\u00e3o controlados pela eletricidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destaca que compreender o electroma \u00e9 fundamental porque, se interviermos no processo bioel\u00e9trico do corpo, poderemos\u00a0\u201cconsert\u00e1-lo quando houver algo de errado, seja por trauma, defeitos de nascimento ou c\u00e2ncer\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como funciona<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O professor em\u00e9rito de biologia do c\u00e2ncer Mustafa Djamgoz, do Imperial College de Londres, \u00e9 um dos primeiros cientistas a aplicar a\u00a0bioeletricidade\u00a0no tratamento desta doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz tamb\u00e9m leciona neurobiologia na mesma universidade e estuda os processos bioel\u00e9tricos do corpo h\u00e1 d\u00e9cadas. Desde 2019, ele \u00e9 coeditor-chefe de Bioelectricity, a \u00fanica revista cient\u00edfica dedicada a este campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, antes de entender como usar a bioeletricidade para tratar do c\u00e2ncer, a BBC News Mundo \u2013 o servi\u00e7o em espanhol da BBC \u2013 pediu a Djamgoz que explicasse o que \u00e9 essa corrente e como ela \u00e9 gerada dentro do nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodos os elementos que temos no nosso corpo, como o s\u00f3dio, pot\u00e1ssio, c\u00e1lcio, magn\u00e9sio e zinco, passam por uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que causa a separa\u00e7\u00e3o dos seus \u00e1tomos, formando o que se conhece como \u00edons, que s\u00e3o part\u00edculas eletricamente carregadas\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs fluidos do nosso corpo est\u00e3o repletos destes \u00edons. Os de carga oposta se atraem e os que possuem a mesma carga se repelem\u201d, prossegue ele. \u201cE, quando circulam pelo nosso corpo, eles geram uma corrente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz ressalta que \u00e9 uma corrente com pot\u00eancia muito baixa:\u00a0<strong>apenas 70 milivolts<\/strong>. Como termo de compara\u00e7\u00e3o, uma pilha AA comum tem 1,5 mil milivolts. Mas a bioeletricidade do corpo \u00e9 fundamental para seu funcionamento, segundo ele, j\u00e1 que\u00a0\u00e9 atrav\u00e9s desses sinais el\u00e9tricos que as diferentes partes do corpo se comunicam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lei fundamental<\/h2>\n\n\n\n<p>Djamgoz destaca que a rede bioel\u00e9trica do corpo funciona sob os mesmos princ\u00edpios fundamentais aplicados a qualquer circuito el\u00e9trico, incluindo a lei de Ohm, que estabelece que a tens\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 corrente, multiplicada pela resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande diferen\u00e7a \u00e9 que, enquanto a eletricidade tradicional se move ao longo do n\u00facleo condutor dentro de um cabo, a bioeletricidade \u00e9 gerada por \u00edons que fluem atrav\u00e9s da membrana celular (a cobertura).<\/p>\n\n\n\n<p>Como a membrana tem fun\u00e7\u00e3o de veda\u00e7\u00e3o, os \u00edons, para penetrar na c\u00e9lula, devem atravessar uma esp\u00e9cie de comporta \u2013 prote\u00ednas chamadas de \u201ccanais i\u00f4nicos\u201d, incrustadas na membrana. Quando os \u00edons fluem por esses canais, produz-se a\u00a0condu\u00e7\u00e3o el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista, \u00e9 um paradoxo que o sistema bioel\u00e9trico tenha sido muito menos estudado que outros sistemas que regem o corpo, como o genoma, j\u00e1 que sua compreens\u00e3o apresenta muito menos dificuldade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos 22 mil genes e cada pessoa tem uma composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica diferente. Por isso \u00e9 que temos medicina personalizada\u201d, segundo ele.\u00a0\u201cMas, na bioeletricidade, existe uma \u00fanica lei fundamental, aplicada a todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz tamb\u00e9m destaca que todas as c\u00e9lulas e tecidos do nosso corpo \u2013 neur\u00f4nios, nervos, m\u00fasculos, cartilagens, intestino etc. \u2013 utilizam o mesmo processo para se comunicar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando pensamos nas propriedades el\u00e9tricas do corpo, pensamos em primeiro lugar no c\u00e9rebro, no cora\u00e7\u00e3o e nos m\u00fasculos, mas a realidade \u00e9 que at\u00e9 os micr\u00f3bios do nosso intestino, o sistema imunol\u00f3gico e as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas geram sinais el\u00e9tricos\u201d, afirma ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, \u201ca bioeletricidade realmente \u00e9 uma das for\u00e7as ou mecanismos mais fundamentais da natureza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O c\u00e2ncer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da bioeletricidade para impedir o avan\u00e7o do c\u00e2ncer, o tratamento revolucion\u00e1rio sendo desenvolvido por Djamgoz est\u00e1 relacionado com a forma de transmiss\u00e3o dos sinais el\u00e9tricos dentro do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 mencionamos que, para entrar e sair das c\u00e9lulas, os \u00edons (\u00e1tomos com carga el\u00e9trica) utilizam canais i\u00f4nicos, que s\u00e3o prote\u00ednas presentes nas membranas celulares. Elas funcionam como comportas \u2013 quando elas se abrem, o \u00edon pode passar.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do c\u00e2ncer, que \u00e9 basicamente uma doen\u00e7a que ocorre quando as c\u00e9lulas crescem e se propagam de forma descontrolada, o professor explica que esses canais i\u00f4nicos desempenham papel fundamental, j\u00e1 que \u201cs\u00e3o eles que controlam a prolifera\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as \u00e0s pesquisas iniciadas pelo especialista na d\u00e9cada de 1990, ele e sua equipe descobriram um dado revelador:\u00a0as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas ficam agressivas\u00a0\u2013 ou seja, elas tendem a se multiplicar e propagar \u2013\u00a0quando s\u00e3o \u201celetricamente excit\u00e1veis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs c\u00e9lulas cancer\u00edgenas geram um zumbido de atividade el\u00e9trica e isso as torna hiperativas\u201d, explica Djamgoz.<\/p>\n\n\n\n<p>Este dado \u00e9 muito importante, segundo o professor, porque \u201co problema do c\u00e2ncer n\u00e3o \u00e9 ter um tumor. Voc\u00ea pode viver com um tumor, desde que seja local.&nbsp;O problema aumenta quando o c\u00e2ncer se propaga, em um processo que chamamos de met\u00e1stase.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz descobriu que a chave para interromper esse crescimento hiperativo \u00e9 fechar as comportas el\u00e9tricas das c\u00e9lulas \u2013 ou seja, bloquear os canais i\u00f4nicos, mais especificamente os canais de \u00edons de s\u00f3dio, que s\u00e3o os respons\u00e1veis por causar a \u201cexcita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica\u201d que promove o crescimento do c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando produtos farmac\u00eauticos para bloquear esses canais, o professor conseguiu interromper a prolifera\u00e7\u00e3o e a propaga\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancer\u00edgenas em animais.\u00a0Seu pr\u00f3ximo desafio \u00e9 realizar testes em seres humanos, o que \u00e9 um processo muito mais complexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele defende que j\u00e1 tem ind\u00edcios de que a t\u00e9cnica tamb\u00e9m poder\u00e1 funcionar em pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista em ci\u00eancias biom\u00e9dicas William Brackenbury, da Universidade de York, no Reino Unido, \u00e9 ex-estudante de doutorado de Djamgoz. No final de 2022, ele publicou os resultados de um estudo epidemiol\u00f3gico que analisou informa\u00e7\u00f5es de\u00a053 mil pacientes\u00a0com c\u00e2ncer de tr\u00eas tipos:\u00a0mama,\u00a0pr\u00f3stata\u00a0e\u00a0<strong>c\u00f3lon<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 150 desses pacientes tamb\u00e9m tinham\u00a0angina cr\u00f4nica, uma doen\u00e7a coronariana que \u00e9 tratada utilizando um medicamento chamado ranolazina, que\u00a0bloqueia os canais de \u00edons de s\u00f3dio\u00a0em condi\u00e7\u00f5es de baixo n\u00edvel de oxig\u00eanio, que tamb\u00e9m s\u00e3o produzidas nos tumores em crescimento.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O estudo demonstrou que as pessoas que tomaram o bloqueador sobreviviam, em m\u00e9dia, por 60% mais tempo que os demais pacientes de c\u00e2ncer que n\u00e3o estavam tomando esse produto.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cMedicamentos como a ranolazina podem transformar os c\u00e2nceres agressivos em estado benigno, ou seja, sem met\u00e1stase, permitindo que os pacientes vivam com o c\u00e2ncer de forma cr\u00f4nica, como o diabetes\u201d, segundo o especialista.\u00a0\u201cIsso tamb\u00e9m elimina os efeitos secund\u00e1rios t\u00f3xicos e indesej\u00e1veis de tratamentos como a\u00a0quimioterapia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz patenteou seu tratamento contra o c\u00e2ncer usando o bloqueador de canais de \u00edons de s\u00f3dio em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo o Reino Unido, Jap\u00e3o, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia e Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outros usos m\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas a bioeletricidade n\u00e3o tem potencial apenas para a cura do c\u00e2ncer. A mesma \u201cexcita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica\u201d que faz com que as c\u00e9lulas cancer\u00edgenas se multipliquem pode ser usada com outro objetivo positivo: a\u00a0cura de feridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sally Adee explica que j\u00e1 foi descoberto que as c\u00e9lulas da pele \u201cgeram um campo el\u00e9trico quando s\u00e3o lesionadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA corrente da ferida chama o tecido vizinho, atraindo ajudantes como agentes curativos, macr\u00f3fagos para limpar a desordem e c\u00e9lulas reparadoras de tecido de col\u00e1geno, chamadas fibroblastos\u201d, explica ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, o cientista Richard Nuccitelli\u00a0conseguiu medir a corrente el\u00e9trica das feridas e concluiu que ela aumenta quando h\u00e1 a les\u00e3o, \u00e9 reduzida \u00e0 medida que a ferida sara e volta a ser indetect\u00e1vel quando a cura est\u00e1 completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Adee tamb\u00e9m descobriu que as pessoas cuja corrente de tens\u00e3o era fraca curavam-se mais lentamente do que aquelas cuja corrente de les\u00e3o era \u201cmais forte\u201d. Al\u00e9m disso, a for\u00e7a da corrente da ferida \u00e9 reduzida com a idade, emitindo um sinal com a metade da for\u00e7a nas pessoas maiores de 65 anos, em rela\u00e7\u00e3o aos menores de 25 anos de idade, segundo detalha a especialista no seu artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta descoberta levou alguns cientistas a tentar estimular a eletricidade natural do corpo para acelerar a cura de feridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois estudos publicados na \u00faltima d\u00e9cada sobre o tratamento de uma das feridas mais dif\u00edceis de curar (as escaras, que afetam principalmente as pessoas acamadas), demonstraram que\u00a0o est\u00edmulo el\u00e9trico \u201cquase duplicou sua taxa de cura\u201d, segundo Adee, mencionando os trabalhos de Koel e Hoghton, em 2014, e de Girgis e Duarte, em 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>A divulgadora cient\u00edfica destaca que existem at\u00e9 evid\u00eancias de que a mesma t\u00e9cnica pode acelerar a cura de ossos fraturados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que n\u00e3o \u00e9 utilizada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A grande pergunta \u00e9: se j\u00e1 existem pesquisas que demonstram que a bioeletricidade do corpo pode ser alterada para ajudar na nossa cura, por que os m\u00e9dicos n\u00e3o est\u00e3o aplicando estas t\u00e9cnicas?<\/p>\n\n\n\n<p>Djamgoz aponta tr\u00eas motivos principais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrimeiro, a profiss\u00e3o m\u00e9dica \u00e9 muito conservadora\u201d, afirma ele. \u201cLeva muito tempo para que as ideias mudem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe voc\u00ea pegar, por exemplo, o caso do c\u00e2ncer, n\u00f3s ainda o tratamos usando quimioterapia, radioterapia e t\u00e9cnicas e m\u00e9todos de tratamento que t\u00eam mais de 50 anos\u201d, explica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte deste conservadorismo est\u00e1 relacionada ao fato de que \u201cestamos lidando com a vida humana\u201d, segundo ele, e\u00a0<strong>existe medo de cometer erros<\/strong>. Mas, na pr\u00e1tica, quando algu\u00e9m quer testar \u201calgo que est\u00e1 fora do convencional, a rea\u00e7\u00e3o instintiva \u00e9 se opor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos motivos por que n\u00e3o h\u00e1 mais pessoas assumindo riscos \u00e9 que n\u00e3o existe financiamento. As pessoas querem se ater ao seguro\u201d, destaca Djamgoz.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda raz\u00e3o da falta de investimento neste campo \u00e9 o fator comercial. \u201cAs grandes empresas farmac\u00eauticas que desenvolvem medicamentos caros n\u00e3o querem necessariamente este tipo de medica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 barata\u201d, explica o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o terceiro e \u00faltimo motivo indicado pelo professor Djamgoz \u00e9 mais curioso: para usar a bioeletricidade, \u00e9 preciso conhecer um pouco de f\u00edsica e, segundo ele, \u201co m\u00e9dico ou bi\u00f3logo comum tem medo\u201d desta disciplina cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste quase que um preconceito&#8230; eles dizem \u2018meu Deus, isso \u00e9 f\u00edsica, n\u00e3o entendo\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Adee menciona um estudo de 2019, realizado pela Universidade Goethe, da Alemanha, e pela Universidade do Novo M\u00e9xico, nos Estados Unidos, que \u201cconcluiu que a ideia de que a eletricidade \u00e9 relevante na biologia ainda \u00e9 muito nova e contraria a intui\u00e7\u00e3o para que tenha ampla aceita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAt\u00e9 quando os m\u00e9dicos j\u00e1 ouviram falar, eles n\u00e3o sabem como us\u00e1-la\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dos cientistas que participaram deste estudo, que analisou os motivos por que poucos cirurgi\u00f5es ortop\u00e9dicos utilizam o est\u00edmulo el\u00e9trico para curar fraturas, \u201cembora funcione t\u00e3o bem\u201d, concordaram com o professor do Imperial College sobre os dois primeiros motivos apontados por ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a especialista russa em medicina regenerativa Liudmila Leppik e o cirurgi\u00e3o pl\u00e1stico e especialista em ortopedia argentino-americano John Barker afirmaram \u00e0 BBC News Mundo que n\u00e3o acreditam que a falta de conhecimento dos m\u00e9dicos sobre f\u00edsica seja um dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o acredito que nenhum de n\u00f3s, m\u00e9dicos, compreenda profundamente os mecanismos de funcionamento de nenhuma das drogas que administramos aos pacientes e, mesmo assim, n\u00f3s as administramos todos os dias\u201d, afirma Barker, que trabalhou por d\u00e9cadas com est\u00edmulos el\u00e9tricos e hoje \u00e9 aposentado.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para Leppik, \u201co m\u00e9dico e o bi\u00f3logo m\u00e9dio estudaram f\u00edsica na universidade e acredito que eles entendam os conceitos b\u00e1sicos da eletricidade. Mas eles tamb\u00e9m compreendem o pouco que sabem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rea\u00e7\u00f5es celulares \u00e0 eletricidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, o trabalho no qual ambos colaboraram demonstrou que n\u00e3o existem diretrizes claras que especifiquem como utilizar a eletricidade em um consult\u00f3rio ou mesa de opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 claro se deve ser usada corrente direta ou alternada, qual deve ser o tempo de aplica\u00e7\u00e3o e qual tens\u00e3o deve ser empregada. E outro fator fundamental demonstrado pelo estudo \u00e9 que ainda\u00a0n\u00e3o existem ferramentas padronizadas para uso pelos m\u00e9dicos com seus pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8216;Quest\u00e3o de tempo&#8217;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das limita\u00e7\u00f5es, os especialistas est\u00e3o de acordo sobre o enorme potencial do campo da&nbsp;<strong>bioeletricidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mustafa Djamgoz destaca que o financiamento desta \u00e1rea da ci\u00eancia est\u00e1 crescendo. \u201c\u00c9 um dos principais desenvolvimentos que est\u00e3o por acontecer. \u00c9 apenas quest\u00e3o de tempo\u201d, prev\u00ea o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 John Barker adverte que, embora o potencial seja inquestion\u00e1vel, a ci\u00eancia n\u00e3o costuma avan\u00e7ar de forma linear.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, \u201ca eletricidade serve para curar. Ponto. Existem muitas pesquisas que o comprovam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas, 40 ou 50 anos atr\u00e1s, tamb\u00e9m sab\u00edamos que os carros eletr\u00f4nicos tinham muitas vantagens e, mesmo assim, foi preciso chegar o maluco do Elon Musk, que brincou de investir nessa ind\u00fastria, para mudar o status quo\u201d, destaca Barker.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista acredita que o interesse pelo uso da eletricidade na medicina certamente ir\u00e1 aumentar, agora que \u201cest\u00e1 explorando o campo da microeletr\u00f4nica. N\u00e3o tenho d\u00favida de que ser\u00e1 um grande avan\u00e7o.\u00a0Falta apenas desenvolver um dispositivo que seja f\u00e1cil de usar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se inscreva em nosso canal do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@tvnativoos\">youtube.com\/@tvnativoos<\/a><\/strong>, curta nossa p\u00e1gina no&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tvnativoos\">facebook<\/a><\/strong>,&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvnativoos\/\">instagram<\/a><\/strong>&nbsp;e veja nossa programa\u00e7\u00e3o ao vivo pelo canal 6 da Claro Net ou pelo portal&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">tvnativoos.com.br.<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o a\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">TV Nativoos<\/a><\/strong>\u00a0est\u00e1 programando muitas novidades na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: BBC e Gl,obo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, muitas das pesquisas cient\u00edficas que tentaram desvendar o funcionamento do corpo humano concentraram-se em estudar tr\u00eas sistemas principais: o genoma, o proteoma e o microbioma. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, muitas das pesquisas cient\u00edficas que tentaram desvendar o funcionamento do\u00a0corpo humano\u00a0concentraram-se em estudar tr\u00eas sistemas principais: o\u00a0genoma, o\u00a0proteoma\u00a0e o\u00a0microbioma. 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