{"id":5465,"date":"2023-03-03T20:09:05","date_gmt":"2023-03-03T20:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=5465"},"modified":"2023-03-03T20:11:55","modified_gmt":"2023-03-03T20:11:55","slug":"embrapa-se-prepara-para-comemorar-cinquenta-anos-de-geracao-de-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/embrapa-se-prepara-para-comemorar-cinquenta-anos-de-geracao-de-conhecimento\/","title":{"rendered":"Embrapa se prepara para comemorar Cinquenta anos de gera\u00e7\u00e3o de conhecimento"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 26 de abril de 2023, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria celebra meio s\u00e9culo em 43 centros de pesquisa no pa\u00eds com uma trajet\u00f3ria de avan\u00e7os que al\u00e7ou o Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia mundial do agro.<\/p>\n\n\n\n<p>Personagem-chave da revolu\u00e7\u00e3o silenciosa que levou tecnologia \u00e0s fazendas e transformou o Brasil em pot\u00eancia mundial do agroneg\u00f3cio nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/en\/noticias\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria<\/a><\/strong>&nbsp;completa 50 anos em 26 de abril. Hoje com cerca de 8 mil colaboradores, dos quais 2,1 mil pesquisadores, e 43 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil, sendo quatro deles no Rio Grande do Sul, a institui\u00e7\u00e3o exibe um campo de atua\u00e7\u00e3o muito mais abrangente do que em sua g\u00eanese. Para o futuro, encara um duplo desafio \u2013 garantir que a inova\u00e7\u00e3o chegue a propriedades rurais de todos os portes e, ao mesmo tempo, fomentar a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de alimentos em um cen\u00e1rio cada vez mais sensibilizado pelo debate ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>De t\u00e9cnicas de plantio, manejo e colheita, zoneamentos de risco clim\u00e1tico e melhoramento gen\u00e9tico de rebanhos ao desenvolvimento de centenas de variedades de gr\u00e3os adaptadas aos diferentes solos e climas do pa\u00eds, s\u00e3o muitos os exemplos da contribui\u00e7\u00e3o da Embrapa para a agropecu\u00e1ria brasileira. O impacto desse apoio pode ser traduzido em cifras. Segundo o presidente da estatal, Celso Moretti, as tecnologias da empresa geraram um lucro social de R$ 81,6 bilh\u00f5es em 2021 \u2013 os dados de 2022 ser\u00e3o divulgados na data de anivers\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o \u2013, frente a um or\u00e7amento de R$ 3,49 bilh\u00f5es aprovado para o mesmo ano. \u201cPara cada real que foi aplicado na Embrapa, n\u00f3s devolvemos R$ 23,4\u201d, diz Moretti.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos fundadores da estatal, o engenheiro agr\u00f4nomo ga\u00facho Lu\u00eds Fernando Cirne Lima explica que a institui\u00e7\u00e3o nasceu em um contexto de expans\u00e3o das fronteiras agr\u00edcolas do pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 1970, a marcha rumo ao Centro-Oeste era vista como uma resposta ao aumento populacional e ao consequente aumento da demanda por alimentos. O avan\u00e7o, por\u00e9m, esbarrava na falta de know-how para o plantio nos solos \u00e1ridos do Cerrado. \u201cA pesquisa (no pa\u00eds) era dispersa e com muito pouco resultado, a n\u00e3o ser basicamente em caf\u00e9 e cana-de-a\u00e7\u00facar. O Brasil tinha aproximadamente 15 tipos de conv\u00eanios com entidades internacionais para transfer\u00eancia de tecnologia, e essa transfer\u00eancia era muito incipiente e ineficiente\u201d, observa Cirne Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca \u00e0 frente do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/\">Minist\u00e9rio da Agricultura<\/a><\/strong>, o agr\u00f4nomo conta que organizou um grupo de trabalho com a tarefa de propor um mecanismo de gera\u00e7\u00e3o de tecnologia nacional para repasse aos agricultores. \u201cN\u00e3o se sabia bem que tipo de organiza\u00e7\u00e3o seria, se um departamento do minist\u00e9rio, uma funda\u00e7\u00e3o. Afinal, evolu\u00edmos para a cria\u00e7\u00e3o de uma empresa p\u00fablica\u201d, diz Cirne Lima. As esta\u00e7\u00f5es experimentais mantidas pela pasta na \u00e9poca em diversos estados, como as existentes em Pelotas, Bag\u00e9, Bento Gon\u00e7alves e Passo Fundo, serviram de ponto de partida para a constitui\u00e7\u00e3o da Embrapa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da conquista do Cerrado aos dias atuais, a pesquisa p\u00fablica permitiu ao pa\u00eds passar de importador a grande exportador de commodities. Segundo o presidente da Embrapa, esse salto competitivo da agricultura brasileira foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de tecnologias sustent\u00e1veis como a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio. Apenas com a t\u00e9cnica, hoje adotada em mais de 90% das lavouras de soja do pa\u00eds, o Brasil reduziu em R$ 28 bilh\u00f5es o uso de adubos nitrogenados no ano passado. A sustentabilidade consolida-se como uma das tend\u00eancias para a pesquisa nos pr\u00f3ximos anos. \u201cJ\u00e1 mostramos para o Brasil e para o mundo que \u00e9 poss\u00edvel produzir mais utilizando tecnologias mitigadoras de gases do efeito estufa, por exemplo, com a integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria. O Brasil, at\u00e9 2025, deve ser o segundo, se n\u00e3o o primeiro maior produtor (mundial) de bioinsumos\u201d, afirma Moretti.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.farsul.org.br\/\">Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado (Farsul)<\/a><\/strong>, Gede\u00e3o Pereira, diz que o apoio da estatal foi decisivo para o setor nos \u00faltimos 30 anos. \u201cO Brasil realmente pisou no mercado internacional com envergadura a partir de 1997. Aliaram-se duas coisas importantes: qualidade da pesquisa e qualidade do agricultor, que passou a consumir a pesquisa da Embrapa, principalmente no Centro-Oeste. O produtor abra\u00e7ou isso\u201d, destaca Pereira. As unidades da Embrapa no Estado s\u00e3o parceiras da Farsul no Programa Duas Safras, que busca aumentar o cultivo de trigo, triticale, centeio, cevada, canola e aveia \u2013 atualmente, a produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha de cereais de inverno equivale a apenas 9% do tamanho da safra de ver\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o diretor da Faculdade de Agronomia da\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/inicial\">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs)<\/a><\/strong>, Carlos Alberto Bissani, a boa intera\u00e7\u00e3o com outros estabelecimentos do Estado \u00e9 um dos pontos fortes da atua\u00e7\u00e3o da estatal. A centen\u00e1ria institui\u00e7\u00e3o de ensino ga\u00facha, uma das pioneiras na oferta de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea no Brasil, teve um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos para centros de pesquisa brasileiros nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, lembra o professor. \u201cJ\u00e1 tivemos egressos nossos em praticamente todos os centros da Embrapa no Brasil, sempre tivemos um hist\u00f3rico de parcerias. Ela teve um legado amplo de contribui\u00e7\u00f5es que ajudaram a aperfei\u00e7oar os sistemas agropecu\u00e1rios do Estado\u201d, avalia Bissani.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Na rota da autossufici\u00eancia para a produ\u00e7\u00e3o de trigo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Unidade da Embrapa em Passo Fundo desenvolve pesquisas que podem elevar safras do cereal no Brasil a 20 mil toneladas por ano<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-41.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5469\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-41.jpg 900w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-41-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-41-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Trigo no Nordeste brasileiro? Sim, isso ser\u00e1 realidade at\u00e9 o final desta d\u00e9cada, tem certeza o chefe-geral da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, Jorge Lemainski. No per\u00edodo, projeta o especialista, o Brasil alcan\u00e7ar\u00e1 a autossufici\u00eancia no abastecimento do cereal, saltando da atual produ\u00e7\u00e3o de 10 milh\u00f5es de toneladas para um total de 20 milh\u00f5es de toneladas por safra. Do ponto de vista da pesquisa, o roteiro para essa expans\u00e3o dos trigais, t\u00edpicos das regi\u00f5es frias, exige a supera\u00e7\u00e3o de problemas que hoje limitam a produtividade das lavouras, do desenvolvimento de cultivares tolerantes \u00e0 escassez de \u00e1gua a solu\u00e7\u00f5es mais eficientes para manejo de doen\u00e7as de dif\u00edcil controle, como a giberela e o brusone, e a germina\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o na espiga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVencidos esses desafios, o trigo far\u00e1 o mesmo caminho que a soja e o milho fizeram no Brasil. Hoje, cultivamos 40 milh\u00f5es de hectares de soja e 24 milh\u00f5es de hectares de milho e, com cereais de inverno, 3,1 milh\u00f5es de hectares\u201d, diz Lemainski. O cen\u00e1rio vislumbrado pelo pesquisador se baseia no sucesso do cultivo do cereal no Cerrado, uma vit\u00f3ria da pesquisa de variedades adaptadas ao inverno seco do bioma. Em cinco d\u00e9cadas, o rendimento das lavouras brasileiras aumentou cinco vezes, observa Lemainski, de uma m\u00e9dia de 10 sacas em 1977 para o patamar atual de mais de 50 sacas por hectare. \u201cGrande parte da gen\u00e9tica do melhoramento gen\u00e9tico da triticultura brasileira passou pela&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/not%C3%ADcias\/rural\/embrapa-lan%C3%A7a-plataforma-de-monitoramento-de-plantas-daninhas-resistentes-1.983723\">Embrapa Trigo<\/a><\/strong>, com esse papel de vanguarda no melhoramento e a forma\u00e7\u00e3o de muitos quadros que permitiram \u00e0 iniciativa privada tamb\u00e9m entrar nesse processo\u201d, diz o pesquisador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A arrancada na produtividade dos campos dourados, por\u00e9m, n\u00e3o teria sido atingida apenas com os avan\u00e7os na seara gen\u00e9tica. A Embrapa Trigo tamb\u00e9m \u00e9 destaque no manejo integrado de pragas. Lemainski recorda uma t\u00e9cnica de controle biol\u00f3gico introduzida pelo centro de pesquisas que acabou virando um case de sucesso internacional e ainda hoje \u00e9 usada na triticultura. No final da d\u00e9cada de 1970, o ataque de pulg\u00f5es-do-trigo chegava a causar perdas de quase 90% das plantas em lavouras n\u00e3o tratadas com agroqu\u00edmicos. Com o poio da&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.fao.org\/brasil\/pt\/\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO)<\/a><\/strong>&nbsp;e da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, os pesquisadores trouxeram ao pa\u00eds e passaram a multiplicar nos laborat\u00f3rios de Passo Fundo esp\u00e9cies de vespinhas que, liberadas nas planta\u00e7\u00f5es, atuavam como parasitas naturais dos pulg\u00f5es. \u201cA infesta\u00e7\u00e3o caiu a menos de 5%, e o uso de inseticidas se reduziu muito\u201d, diz Lemainski.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a unidade refor\u00e7ou o arsenal dos agricultores com m\u00e9todos de combate \u00e0s pragas que atacam gr\u00e3os armazenados, na etapa p\u00f3s-colheita. Em seus laborat\u00f3rios, foram desenvolvidos os chamados trigos de duplo prop\u00f3sito, variedades que se destinam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os para a ind\u00fastria de panifica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de pastagem, sendo utilizadas nos sistemas de integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria. Hoje com 178 funcion\u00e1rios, 46 dos quais dedicados \u00e0 pesquisa, a Embrapa Trigo foi pioneira nos estudos para a defini\u00e7\u00e3o do zoneamento agr\u00edcola de risco clim\u00e1tico, institu\u00eddo pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento em 1996. Na \u00e9poca, a ferramenta passou a ser uma condi\u00e7\u00e3o para as opera\u00e7\u00f5es de custeio agr\u00edcola do Proagro \u2013 produtores que n\u00e3o seguem as recomenda\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso ao cr\u00e9dito \u2013, e o trigo foi a primeira cultura a adot\u00e1-la. \u201cDesde ent\u00e3o, a unidade \u00e9 uma refer\u00eancia para o zoneamento agr\u00edcola das culturas no Brasil\u201d, destaca Lemainski.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Experimentos de ponta na melhoria dos rebanhos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Resultado da combina\u00e7\u00e3o de bovinos Angus com zebu\u00ednos, o Brangus nasceu de um experimento conduzido por t\u00e9cnicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em ingl\u00eas) em Jeanerette, no estado de Louisiana, em 1912. O objetivo do projeto era chegar a um animal capaz de altos \u00edndices de produtividade mesmo sob condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ambientais adversas, caracter\u00edsticas das regi\u00f5es tropicais e subtropicais. No Brasil, os primeiros cruzamentos foram feitos na d\u00e9cada de 1940, no centro de pesquisa mantido pelo Minist\u00e9rio da Agricultura em Bag\u00e9 e transformado em um dos bra\u00e7os ga\u00fachos da Embrapa em 1975. Batizada de Embrapa Pecu\u00e1ria Sul, a unidade teve um papel fundamental na expans\u00e3o do Brangus, hoje a ra\u00e7a sint\u00e9tica mais utilizada no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-40.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5468\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-40.jpg 900w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-40-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-40-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o chefe-geral do centro de pesquisas, Fernando Flores Cardoso, essa foi a primeira de uma s\u00e9rie de contribui\u00e7\u00f5es da unidade que mudaram o panorama da pecu\u00e1ria na Regi\u00e3o Sul. Outro avan\u00e7o foi a implanta\u00e7\u00e3o de uma mescla forrageira composta por azev\u00e9m e duas esp\u00e9cies leguminosas, o cornich\u00e3o e o trevo-branco, ainda hoje umas das t\u00e9cnicas mais adotadas no campo. \u201cIsso permitiu, com o controle estrat\u00e9gico dos endo-ectoparasitas, outra tecnologia marcante da unidade, que se estabelecessem as primeiras produ\u00e7\u00f5es de novilho precoce, os primeiros passos de intensifica\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria, que era bastante extensiva quando come\u00e7ou o trabalho da Embrapa\u201d, explica Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a pesquisa conduzida na unidade de Bag\u00e9 tem como meta demonstrar que a pecu\u00e1ria \u00e9 um elemento fundamental para a rentabilidade do sistema produtivo, mas com um olhar muito atento aos impactos da atividade no meio ambiente e na sa\u00fade humana, segundo Cardoso. Um dos desafios \u00e9 resolver o dilema da falta de alimento para os rebanhos na Regi\u00e3o Sul no ver\u00e3o. \u201cContinuamos trabalhando muito fortemente em cultivares de forrageiras. Desenvolvemos, por exemplo, o BRS Estribo, que \u00e9 um capim-sud\u00e3o hoje plantado em 800 mil hectares anualmente, com um impacto (econ\u00f4mico) estimado em R$ 186 milh\u00f5es por ano\u201d, diz Cardoso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca ainda o trabalho com as associa\u00e7\u00f5es de ra\u00e7as taurinas e sint\u00e9ticas criadas no Estado em programas de melhoramento para produ\u00e7\u00e3o de carnes de melhor qualidade, que incluem provas de avalia\u00e7\u00e3o e de efici\u00eancia alimentar. \u201cTrabalhamos agora para usar res\u00edduos das novas cadeias produtivas, da olivicultura, vitivinicultura e silvicultura, como o baga\u00e7o da azeitona, para alimentar os bovinos e identificar componentes que podem ser usados na alimenta\u00e7\u00e3o e reduzir as emiss\u00f5es de metano\u201d, detalha Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra linha de pesquisa da unidade, hoje com 109 funcion\u00e1rios, sendo 32 pesquisadores, mira o desenvolvimento de produtos com valor agregado. Um exemplo desse trabalho, baseado no aproveitamento integral de ovelhas de descarte, \u00e9 a tecnologia do bacon de carne ovina, o chamado oveicon. Ap\u00f3s um projeto experimental em conjunto com uma empresa baiana, a Embrapa agora planeja buscar novos parceiros para a produ\u00e7\u00e3o do item na Regi\u00e3o Sul.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mat\u00e9ria-prima sem igual para a vitivinicultura<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Na Serra do Rio Grande do Sul, unidade da Embrapa busca melhoramento gen\u00e9tico e testa cultivares de uva apropriadas ao clima e que garantam a qualidade dos vinhos e espumantes brasileiros, laureados mais de 6 mil vezes desde 1995<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"599\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-39.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5467\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-39.jpg 900w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-39-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-39-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A fama de artes\u00e3s dos melhores vinhos e espumantes ainda pertence \u00e0s lend\u00e1rias vin\u00edcolas francesas, mas os r\u00f3tulos made in Brazil nunca impressionaram tanto mundo afora. Apenas no ano passado, as bebidas nacionais arremataram um recorde de 704 pr\u00eamios em 23 concursos realizados em 12 pa\u00edses, de acordo com dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Enologia (ABE). Desde 1995, ano em que entidade passou a coordenar o envio de amostras para competi\u00e7\u00f5es internacionais, foram 6.614 l\u00e1ureas. Esse reconhecimento, que abre portas para o produto brasileiro no exterior, \u00e9 resultado n\u00e3o apenas da qualifica\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias do setor e do clima favor\u00e1vel que elevou o padr\u00e3o das \u00faltimas safras de uva, como tamb\u00e9m das solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e cultivares desenvolvidas para a cadeia da vitivinicultura. Um trabalho que destaca a Embrapa Uva e Vinho, na Serra Ga\u00facha.<\/p>\n\n\n\n<p>Com sede em Bento Gon\u00e7alves e uma esta\u00e7\u00e3o experimental de fruticultura de clima temperado em Vacaria, al\u00e9m de uma base experimental em Jales, no noroeste de S\u00e3o Paulo, a unidade tem 133 funcion\u00e1rios, dos quais 42 s\u00e3o pesquisadores. \u201cO programa de melhoramento gen\u00e9tico de uva tem ajudado muito o setor produtivo nos \u00faltimos anos, com lan\u00e7amento de materiais importantes\u201d, diz o pesquisador Jo\u00e3o Caetano Fioravan\u00e7o, chefe adjunto de pesquisa e chefe-geral em exerc\u00edcio da unidade, referindo-se \u00e0 pesquisa focada em uvas de mesa, para consumo in natura, e na fruta para processamento industrial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a unidade vem intensificando a pesquisa de cultivares voltadas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de vinhos finos e de porta-enxertos mais resistentes e adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do sul do Brasil, detalha Fioravan\u00e7o. Atua ainda em v\u00e1rios projetos para controle de doen\u00e7as que atacam n\u00e3o apenas os parreirais, mas tamb\u00e9m pomares de ma\u00e7\u00e3 e de pera. \u201cEspecificamente em doen\u00e7as f\u00fangicas da videira, estamos desenvolvendo um produto in\u00e9dito em parceria com o setor produtivo e trabalhamos tamb\u00e9m com controle p\u00f3s-colheita\u201d, destaca o pesquisador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro projeto conduzido na Embrapa Uva e Vinho \u00e9 o Laborat\u00f3rio Moscasul, para controle das moscas-das-frutas, parasitas que acarretam preju\u00edzos aos produtores e limitam as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de ma\u00e7\u00e3. Segundo Fioravan\u00e7o, o objetivo \u00e9 oferecer uma tecnologia mais limpa no manejo da praga, j\u00e1 que muitos inseticidas usados para esse fim no Brasil n\u00e3o s\u00e3o autorizados em outros pa\u00edses. A redu\u00e7\u00e3o do uso de agroqu\u00edmicos, ali\u00e1s, resume uma preocupa\u00e7\u00e3o cada vez maior da pesquisa. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 buscar produtos menos t\u00f3xicos e mais ben\u00e9ficos ao meio ambiente. Temos desenvolvido, por exemplo, sistemas de previs\u00e3o de doen\u00e7as, que permitem ao produtor racionalizar suas aplica\u00e7\u00f5es (de agrot\u00f3xicos)\u201d, afirma o pesquisador.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Arroz, frutas e estrat\u00e9gias de manejo ambiental<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Localizada em Pelotas, na regi\u00e3o Sul do Estado, a Embrapa Clima Temperado atua em v\u00e1rias frentes, dos plantios oriz\u00edcolas ao cultivo de pomares de frutas, como os c\u00edtricos, bem como novas tecnologias para sequestro de carbono<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"600\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-38.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5466\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-38.jpg 900w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-38-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/jpg-38-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Um dos centros de pesquisa da Embrapa mais din\u00e2micos do pa\u00eds, a unidade Clima Temperado, em Pelotas, \u00e9 refer\u00eancia mundial em tecnologias voltadas \u00e0s chamadas terras baixas, que totalizam cerca de 4 milh\u00f5es de hectares no Rio Grande do Sul e s\u00e3o ocupadas predominantemente pela orizicultura. Com 344 empregados, sendo 91 pesquisadores, o local realiza atividades diversas nas \u00e1reas de gr\u00e3os, fruticultura, oler\u00e1ceas, sistemas de pecu\u00e1ria, agricultura de base familiar, recursos naturais e meio ambiente. \u201cNossa unidade \u00e9 um centro ecorregional e, diferentemente das outras, trabalhamos com quase tudo, com enfoque no desenvolvimento regional\u201d, diz o chefe-geral do estabelecimento, Roberto Pedroso de Oliveira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, apenas nos \u00faltimos cinco anos a Embrapa Clima Temperado lan\u00e7ou 12 cultivares, sendo tr\u00eas de arroz, uma de batata-inglesa, duas de batata-doce, duas de feij\u00e3o, tr\u00eas de p\u00eassego e uma de amora-preta, a BRS Ticuna. Com potencial para produzir at\u00e9 18 toneladas de frutas por hectare, a variedade ser\u00e1 lan\u00e7ada oficialmente neste ano, mas uma empresa j\u00e1 foi licenciada para a produ\u00e7\u00e3o e venda de mudas aos agricultores. Por ser uma esp\u00e9cie r\u00fastica e de alto rendimento, cultivada em pequenas \u00e1reas, a amora-preta \u00e9 vista como uma boa alternativa de diversifica\u00e7\u00e3o de renda para propriedades de menor porte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No segmento de fruticultura, a unidade de Pelotas tamb\u00e9m investe na pesquisa de cultivares de frutas c\u00edtricas \u2013 como laranja, bergamota e lim\u00e3o \u2013 sem sementes, tendo introduzido, em duas d\u00e9cadas, cerca de 30 cultivares. Outras contribui\u00e7\u00f5es foram o desenvolvimento de sistemas de cultivo de morango fora do solo, de cana-de-a\u00e7\u00facar e goiaba, o apoio \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos ap\u00edcolas pelo Rio Grande do Sul, aplicativos de celular para planejamento forrageiro e manejo de lavouras e a cria\u00e7\u00e3o da Rota dos Butiazais, projeto tur\u00edstico de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade aliada ao cultivo do buti\u00e1 no Brasil, no Uruguai e na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as t\u00e9cnicas transformadoras introduzidas pelo centro de pesquisas, Oliveira destaca ainda o sistema sulco-camalh\u00e3o em terras baixas. Nesse m\u00e9todo, adotado nas \u00e1reas de cultivo de soja em rota\u00e7\u00e3o com culturas como o arroz e o milho, o gr\u00e3o \u00e9 plantado nas faixas de terra mais elevadas, e os sulcos entre os trechos facilitam a drenagem da \u00e1gua e a irriga\u00e7\u00e3o. Na \u00faltima safra ga\u00facha de ver\u00e3o, fortemente impactada pela estiagem, a produtividade obtida na soja em terras baixas foi de 41 sacas por hectares, enquanto lavouras com o sulco-camalh\u00e3o colheram 77 sacas por hectare, de acordo com dados da Embrapa. No caso do milho, a t\u00e9cnica garantiu um resultado de 170 sacas por hectare, em compara\u00e7\u00e3o com 57 sacas por hectares do sistema convencional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o futuro, segundo Oliveira, a Embraba Clima Temperado aposta no uso de ferramentas de biotecnologia e de bioinform\u00e1tica. A meta \u00e9 garantir a viabilidade econ\u00f4mica dos cultivos e a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. \u201cNossas equipes est\u00e3o trabalhando em tecnologias cada vez mais biol\u00f3gicas, mais precisas, mais tolerantes a estresses ambientais, envolvendo sistemas integrados de produ\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta, para diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o, da agricultura familiar \u00e0 empresarial, da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica \u00e0 integrada e do bioma Pampa \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica\u201d, explica o pesquisador.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Se inscreva em nosso canal do&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@tvnativoos\">youtube.com\/@tvnativoos<\/a><\/strong>, curta nossa p\u00e1gina no&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tvnativoos\">facebook<\/a><\/strong>,&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvnativoos\/\">instagram<\/a><\/strong>&nbsp;e veja nossa programa\u00e7\u00e3o ao vivo pelo canal 6 da Claro Net ou pelo portal&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">tvnativoos.com.br.<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o a\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">TV Nativoos<\/a><\/strong>\u00a0est\u00e1 programando muitas novidades na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal Correio do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 26 de abril de 2023, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria celebra meio s\u00e9culo em 43 centros de pesquisa no pa\u00eds com uma trajet\u00f3ria de avan\u00e7os que al\u00e7ou o Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia mundial do agro. 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