{"id":2554,"date":"2022-11-26T16:47:21","date_gmt":"2022-11-26T16:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=2554"},"modified":"2022-11-26T16:47:22","modified_gmt":"2022-11-26T16:47:22","slug":"brasil-esta-colhendo-a-melhor-safra-de-trigo-dos-ultimos-tempos-em-destaque-a-produtividade-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/brasil-esta-colhendo-a-melhor-safra-de-trigo-dos-ultimos-tempos-em-destaque-a-produtividade-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Brasil est\u00e1 colhendo a melhor safra de Trigo dos \u00faltimos tempos, em destaque a produtividade no Rio Grande do Sul."},"content":{"rendered":"\n<p>A produtividade recorde de Costa Beber foi obtida em uma \u00e1rea de 103 hectares, onde plantou a cultivar TBIO Audaz, da Biotrigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca o ditado popular \u201cenquanto uns choram outros vendem len\u00e7o\u201d fez tanto sentido para o agricultor ga\u00facho. Depois de amargar quebras de 56% nas lavouras de soja e de 34% nas de milho, no ciclo 2021\/2022, ele fez da estiagem a mola propulsora para a maior e melhor colheita de trigo j\u00e1 vista no Rio Grande do Sul. O caminho n\u00e3o foi f\u00e1cil. Ao final do primeiro trimestre, v\u00e9spera do plantio, a eclos\u00e3o da guerra entre Ucr\u00e2nia e R\u00fassia elevou os custos de produ\u00e7\u00e3o a n\u00edveis jamais vistos. Quem havia adquirido os insumos para a safra de inverno estava tranquilo. No entanto, quem aguardava o cr\u00e9dito oficial teve mesmo de ver seus nervos transformarem-se em a\u00e7o. Muitos tiveram, inclusive, de mudar o planejamento produtivo por conta da morosidade na libera\u00e7\u00e3o de recursos do governo federal (com juros subsidiados), sustentar um seguro rural com pre\u00e7os muito altos ou arriscar cultivar o gr\u00e3o sem contratar seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\u00a0ga\u00fachos\u00a0esperaram o quanto puderam para semear o cereal, mas investiram nas melhores cultivares. N\u00e3o deixaram de arrendar \u00e1reas complementares e at\u00e9 empenharam capital pr\u00f3prio, mas n\u00e3o desistiram. Um deles \u00e9 Mauro Costa Beber, agricultor no munic\u00edpio de Condor, localizado na regi\u00e3o Centro-Norte do Estado. Com seis anos de estudo sobre meteorologia, definiu o investimento para os 1,7 mil hectares da Agropecu\u00e1ria Brasit\u00e1lia ainda durante a estiagem do \u00faltimo ver\u00e3o, entre janeiro e fevereiro. \u201cSempre confiava nos meteorologistas, que n\u00e3o acertavam as previs\u00f5es. Queria entender as correla\u00e7\u00f5es entre a temperatura da superf\u00edcie do mar, em v\u00e1rios locais do oceano, com a produtividade das culturas, tanto de inverno como de ver\u00e3o\u201d, conta, revelando compartilhar o conhecimento com outros produtores no\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/agropecuariabrasitalia.com.br\/estudo-climatico.\" target=\"_blank\">link<\/a><\/strong>.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A certeza do clima favor\u00e1vel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, Costa Beber obteve 95% de certeza que o clima colaboraria com o cultivo do cereal. Foram os mesmos progn\u00f3sticos que lhe fizeram investir em variedades de ciclo precoce, m\u00e9dio e tardio de soja nas safras 2021\/22 e 2022\/23, al\u00e9m de o ajudarem a dirimir as perdas decorrentes da estiagem. Pretendia, inicialmente, semear 550 hectares de trigo, mas seus registros indicavam um caminho ainda mais promissor. Mesmo com a estrat\u00e9gia da safra de inverno definida, decidiu ampliar a \u00e1rea plantada para 770 hectares. \u201c\u00c9 ano de La Ni\u00f1a. O fen\u00f4meno traz v\u00e1rias coisas boas para trigo: \u00e9 frio em setembro e outubro, as noites s\u00e3o frias, os dias, ensolarados, e n\u00e3o temos aqueles morma\u00e7os que estragam o trigo\u201d, especifica. O produtor tamb\u00e9m investiu em aveia preta (20% da \u00e1rea), deixou uma \u00e1rea livre para plantar a soja do cedo (30%) e manteve uma parte das terras (20%) para plantas de cobertura e pastagem.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com recursos provenientes da \u00faltima colheita de trigo, quando obteve 72 sacas por hectare, o agricultor abasteceu-se de insumos. \u201cN\u00e3o financiamos lavoura de inverno e fizemos seguro porque, estatisticamente, a probabilidade de perda \u00e9 maior que na de ver\u00e3o\u201d, assegura. A semeadura ocorreu de 12 e junho a 5 de julho, sem contratempos. O sobressalto veio ao vivenciar as melhores condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas para as lavouras de inverno ao longo das suas quatro d\u00e9cadas de experi\u00eancia. \u201cEste ano \u00e9 excepcional. Eu tinha previs\u00e3o de que o clima ia ser bom, mas n\u00e3o imaginava que fosse t\u00e3o bom\u201d, confessa. Acostumado a colher, em m\u00e9dia, 4.320 quilos de trigo por hectare, ele foi surpreendido pela marca de 97 sacas por hectare (5.820 quilos por hectare) logo no in\u00edcio da colheita. \u201cEm quatro d\u00e9cadas de produ\u00e7\u00e3o, nunca tinha conseguido atingir este patamar\u201d, comemora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como alcan\u00e7ou essa produtividade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A produtividade recorde de Costa Beber foi obtida em uma \u00e1rea de 103 hectares, onde plantou a cultivar TBIO Audaz, da Biotrigo. A mesma variedade tamb\u00e9m foi implantada em outra \u00e1rea de 100 hectares, cujo rendimento chegou a 85 sacas por hectare (5.100 quilos por hectare). \u201cA cada ano, a mesma cultivar apresenta diferente resposta. \u00c9 o terceiro ano que planto essa (que produziu 97 sacas por hectare). N\u00e3o era a de maior produtividade, mas, este ano, acho que ser\u00e1\u201d, projeta. A estimativa do produtor \u00e9 que a safra deste ano feche com o rendimento m\u00e9dio entre 75 sacas e 85 sacas por hectare. Com uma qualidade igualmente excepcional, a remunera\u00e7\u00e3o pelo gr\u00e3o seguir\u00e1 o PH acima de 80 obtido nesta safra. \u201cAqui na regi\u00e3o, n\u00e3o pegamos chuva na flora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o tivemos problema com giberela (fungo que prejudica o trigo)\u201d, explica.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"464\" src=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/03-Colheita-trigo-Foto-Divulgacao-Biotrigo-Ron-Lima_baixa-696x464-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2555\" srcset=\"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/03-Colheita-trigo-Foto-Divulgacao-Biotrigo-Ron-Lima_baixa-696x464-1.jpg 696w, https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/03-Colheita-trigo-Foto-Divulgacao-Biotrigo-Ron-Lima_baixa-696x464-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Banco de Imagens Biotrigo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com 95% da \u00e1rea de trigo colhida, Beber revela que alcan\u00e7ou a m\u00e9dia de 84,4 sacas do gr\u00e3o por hectare. O PH m\u00e9dio est\u00e1 em 830 gramas por litro, ou 83. \u201c\u00c9 a maior m\u00e9dia por hectare da hist\u00f3ria!\u201d, festeja. Este ano, a safra servir\u00e1 \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/biotrigo.com.br\/cultivares\/portfolio\/audaz\/47\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sementes<\/a>\u00a0<\/strong>(30%) e ser\u00e1 comercializada para a C. Vale e para a Cooperativa Trit\u00edcola Panambi (Cotripal), cooperativas das quais faz parte. E, assim como no ano anterior, parte ficar\u00e1 para reserva pr\u00f3pria \u00e0 semeadura de 2023. \u201cA gente pode guardar a semente, mas todo ano adquirimos novas cultivares\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Beber atribui metade desse resultado \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o do clima, mas os outros 50% ao profissionalismo e compet\u00eancia no que fazem os triticultores. \u201cSe fizer tudo certo, na hora certa, com capricho, com todos os manejos necess\u00e1rios, o produtor consegue chegar a altas produtividades. Mas, com o clima perfeito, a cultura consegue expressar seu m\u00e1ximo potencial\u201d, pontua. \u00c9 preciso tamb\u00e9m \u201cacertar no alvo e n\u00e3o na mosca\u201d, como ele mesmo compara. \u201cTem que fazer m\u00e9dia, mitigar risco quanto a cultivares, \u00e0 \u00e9poca de plantio, plantar mais de uma cultivar, usar mais de uma \u00e9poca de plantio\u201d, aconselha.<\/p>\n\n\n\n<p>Preju\u00edzos da estiagem devem ser compensados<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1reas do Rio Grande do Sul como a de Santa Rosa, de acordo com o escrit\u00f3rio regional da\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.emater.tche.br\/site\/index.php\" target=\"_blank\">Emater\/RS-Ascar<\/a><\/strong>, ampliaram o plantio do trigo em mais de 100 mil hectares em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lavouras implantadas no ciclo de 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Noroeste do Rio Grande do Sul \u00e9 sempre um term\u00f4metro para a safra. Primeira que colhe e planta conforme o Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (ZARC) do\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.agricultura.gov.br\/\" target=\"_blank\">Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento<\/a><\/strong>\u00a0(Mapa), \u00e9 tamb\u00e9m a que mais perde em casos de estiagem. Maior exemplo est\u00e1 nas quebras superiores a 50% na safra de milho e a 85% na de soja no \u00faltimo ver\u00e3o, conforme o gerente da Emater\/RS-Ascar em Santa Rosa, Jos\u00e9 Vanderlei Battirola Waschburger.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a iminente necessidade de reverter o quadro e sanar as finan\u00e7as, os agricultores da regi\u00e3o apostaram tudo na safra de inverno. E, da mesma forma que chegaram a extremas perdas no ver\u00e3o, obtiveram excepcionais rendimentos na produtividade do trigo. \u201cA regi\u00e3o de Santa Rosa registra um aumento de 11% tanto no volume quanto na qualidade do trigo colhido este ano\u201d, declara Waschburger. A \u00e1rea contempla 300 mil hectares plantados com o gr\u00e3o em 45 munic\u00edpios, 100 mil hectares a mais que em 2018. Tamb\u00e9m se destaca na\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.correiodopovo.com.br\/not%C3%ADcias\/rural\/pre%C3%A7o-de-refer%C3%AAncia-projetado-para-leite-cai-para-r-2-2217-no-rs-1.927009\" target=\"_blank\">produ\u00e7\u00e3o leiteira e de su\u00ednos<\/a><\/strong>. O incremento da \u00e1rea de trigo decorre da esperan\u00e7a da safra de inverno, embora, reconhe\u00e7a o t\u00e9cnico, a cultura venha crescendo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que apostou na safra de inverno<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de o clima do inverno ter favorecido o cultivo, Waschburger destaca o alto n\u00edvel tecnol\u00f3gico empregado nas lavouras. A esse fato tamb\u00e9m \u00e9 atribu\u00eddo o feito de a maioria dos assistidos pela Emater\/RS-Ascar na regi\u00e3o ter atingido peso hectol\u00edtrico (PH) entre 78 e 82. \u201cO clima \u00e9 preponderante, mas o conjunto dos investimentos, como aduba\u00e7\u00e3o, controle de pragas e doen\u00e7as, escolha das melhores sementes, tudo contribuiu para o resultado\u201d, avalia. Atualmente, 84% dos produtores da regi\u00e3o Noroeste pertencem \u00e0\u00a0agricultura familiar. O escrit\u00f3rio regional da Emater\/RS-Ascar Santa Rosa assiste 22 fam\u00edlias, cujas \u00e1reas particulares variam entre 20 hectares e 30 hectares. \u201cAlguns chegam at\u00e9 a cultivar mais de 100 hectares, mas arrendam \u00e1rea, pois t\u00eam estrutura, como trator, plantadeira e colheitadeira\u201d, afirma o gerente.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos assistidos pela Emater\/RS-Ascar \u00e9 Elton Kulzer,\u00a0agricultor familiar\u00a0na regi\u00e3o de Santo Cristo h\u00e1 35 anos. Depois de perder todos os 40 hectares plantados com soja no \u00faltimo ver\u00e3o, apostou suas fichas na safra de inverno. Arrendou 48 hectares e, somando com os 24 hectares pr\u00f3prios, plantou 38 hectares com trigo e 34 hectares com canola. \u201cAno passado, foi a pior seca que a gente j\u00e1 pegou, o sol queimava tudo\u201d, relembra.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da Cooperativa Mista S\u00e3o Luiz (<a href=\"http:\/\/www.coopermil.com\/\">Copermil<\/a>), Kulzer comprou adubos com anteced\u00eancia. Usou recursos pr\u00f3prios, j\u00e1 que as cooperativas sinalizavam poss\u00edvel altera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, dada a guerra que acontece entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. A obten\u00e7\u00e3o do\u00a0cr\u00e9dito oficial\u00a0chegou com atraso, j\u00e1 que o subs\u00eddio aos juros de custeio do Plano Safra 2021\/2022 para a safra de inverno foram liberados pelo governo federal ap\u00f3s o in\u00edcio do plantio. \u201cConseguimos acessar o financiamento, mas alguns produtores n\u00e3o. Tiveram de usar capital pr\u00f3prio ou optaram em pagar juros mais altos\u201d, comenta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Colocou os \u201covos em duas cestas diferentes\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com sementes adquiridas no mercado e via Coopermil, o agricultor investiu nas cultivares com maior potencial produtivo e adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas sob as quais produz. \u201cA Coopermil disponibiliza resultados de ensaios e pesquisas pr\u00f3prias sobre o desenvolvimento e rendimento das sementes plantadas na regi\u00e3o e, por ali, temos no\u00e7\u00e3o das que d\u00e3o mais resultado e melhor se adaptam\u201d, diz. Depois, colocou os \u201covos em duas cestas diferentes\u201d para n\u00e3o ficar totalmente dependente do clima. Metade da \u00e1rea foi semeada com variedade de ciclo precoce e metade com sementes de ciclo mais longo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os custos estivessem altos, Kulzer manteve a terceiriza\u00e7\u00e3o do plantio assim como da colheita. E, juntamente com o pai, cuidou do\u00a0manejo sanit\u00e1rio das lavouras. A reten\u00e7\u00e3o de verba ficou para o uso de produtos qu\u00edmicos diretamente nas sementes (inocula\u00e7\u00e3o). \u201cA aduba\u00e7\u00e3o foi realizada com o plantio. Vamos tentando reduzir custos de todas as maneiras\u201d, aponta, ressaltando que os valores ao campo mais que dobraram de um ano para o outro. A compensa\u00e7\u00e3o veio com a farta colheita de 77 sacas por hectare na variedade de ciclo precoce e de 87 sacas por hectare na de ciclo mais longo. Com PH do cereal situado entre 80 e 82, sua safra toda j\u00e1 est\u00e1 nos armaz\u00e9ns da cooperativa. Metade dos 9,8 mil quilos foi comercializada antecipadamente, em contrato alinhavado h\u00e1 dois meses, por pre\u00e7o \u201cmuito maior\u201d que o ano passado, confessa o produtor sem revelar a quantia. Com o resultado financeiro, Kunzler quitar\u00e1 o empr\u00e9stimo do Programa de Apoio \u00e0 Agricultura Familiar (Pronaf), viabilizado pela Cresol. J\u00e1 o destino dos outros 50% do gr\u00e3o ainda \u00e9 incerto.<\/p>\n\n\n\n<p>O agricultor F\u00e1bio Wottrich, de Humait\u00e1, na regi\u00e3o Noroeste do Estado, reservou sementes e utilizou as\u00a0vantagens ofertadas pela Cooperativa Trit\u00edcola Mista Campo Novo para comprar insumos com pre\u00e7o diferenciado.<\/p>\n\n\n\n<p>Das extremidades clim\u00e1ticas peculiares da regi\u00e3o Noroeste tamb\u00e9m entende muito bem o agricultor F\u00e1bio Jair Wottrich. H\u00e1 quase meio s\u00e9culo tocando os 97 hectares das lavouras de trigo, milho e soja localizadas no munic\u00edpio de Humait\u00e1, foi um dos que amargou perda de 70% na lavoura de soja que colheria em mar\u00e7o passado. Com seguro somente para a \u00e1rea de milho, onde foi coberto pelo investimento, Wottrich tamb\u00e9m obteve cr\u00e9dito oficial para plantar trigo este ano.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto via o sol do ver\u00e3o literalmente queimar as plantas de soja e milho, Wottrich pensava no inverno. Ainda em fevereiro conseguiu adquirir os insumos necess\u00e1rios ao trigo em uma feira local promovida pela Cooperativa Trit\u00edcola Mista Campo Novo (Cotricampo), da qual \u00e9 integrante. \u201cA feira durou tr\u00eas dias, mas consegui comprar o que precisava no primeiro dia. Quem acelerou conseguiu pre\u00e7o bom e ainda encontrou produtos dispon\u00edveis\u201d, lembra.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todo o trabalho quase foi por \u00e1gua abaixo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, j\u00e1 sabia quais as \u00e1reas iria utilizar para semear trigo, para as quais ainda tinha sementes da safra de inverno passada. \u201cA gente colhe, classifica, embala e guarda sementes, pois \u00e9 algo muito caro para comprar. O quilo est\u00e1 custando em torno de R$ 2,00 e R$ 3,00, mas, para plantar em um hectare, voc\u00ea precisa de 200 quilos de sementes, dependendo da cultivar \u201d, explica. O processo \u00e9 poss\u00edvel porque, segundo o agricultor, o produtor \u00e9 autorizado legalmente a reservar um percentual da colheita para semear na safra seguinte. No entanto, deve seguir as determina\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa), como n\u00e3o comercializar as sementes e, no ciclo anterior, ter adquirido variedades fiscalizadas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s colocar a plantadeira em campo, Wottrich viu seu\u00a0trabalho\u00a0quase literalmente ir por \u00e1gua abaixo. \u201cPlantei na segunda quinzena de junho, quando, logo no in\u00edcio, deu uma chuva muito forte. N\u00e3o foi necess\u00e1rio replantar, mas j\u00e1 estragou um pouco o estande, faltou planta por hectare, prejudicou germina\u00e7\u00e3o, a planta que nasceu n\u00e3o veio muito bonita\u201d, detalha. Mesmo assim, a planta\u00e7\u00e3o, dividida em v\u00e1rias glebas, desenvolveu-se bem, apesar de o processo ter terminado somente no in\u00edcio de julho. \u201cPlantar\u00edamos isso em sete dias se n\u00e3o tivesse chovido tanto\u201d, avalia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00a0Houve muita chuva, faltou planta, faltou espiga de trigo para ter rendimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e9dia de rendimento da propriedade ficou, ao total, em 64 sacas de trigo por hectare. \u201cMeus vizinhos tiraram de 75 sacos a 80 sacos por hectare. Meu rendimento foi menor porque tive problemas na emerg\u00eancia das plantas. Houve muita chuva, faltou planta, faltou espiga de trigo para ter rendimento\u201d, relata. Contudo, o resultado \u00e9 considerado bastante satisfat\u00f3rio, j\u00e1 que somente havia sido atingido pela propriedade em 2013. \u201c\u00c9 um espet\u00e1culo de trigo, de cor, de sanidade de gr\u00e3o, e o PH de quase todos est\u00e1 em 82 e 83, o que melhora o pre\u00e7o na venda\u201d, comemora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi para os armaz\u00e9ns da Cotricampo, por meio da qual a fam\u00edlia recebeu insumos para a lavoura de soja como parte da remunera\u00e7\u00e3o. \u201cAo inv\u00e9s de eu tirar do bolso e comprar o que preciso para plantar a safra de ver\u00e3o, fa\u00e7o uma troca\u201d, diz. O processo \u00e9 este at\u00e9 meados de dezembro. Em janeiro, deve se iniciar o pagamento do custeio, quando, segundo ele, deve ser acionado para tratar sobre o financiamento da pr\u00f3xima safra de inverno. \u201cEles j\u00e1 me perguntam que quantia vou precisar para financiar a pr\u00f3xima planta\u00e7\u00e3o\u201d, detalha. O pagamento do custeio tamb\u00e9m ocorre via Cotricampo. A cooperativa comercializa parte da produ\u00e7\u00e3o de Wottrich \u2013 que j\u00e1 est\u00e1 em seus armaz\u00e9ns \u2013 e o liquida diretamente com o banco. \u201cL\u00e1 por janeiro \u00e9 que a gente come\u00e7a a receber pelo trigo em dinheiro\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o dos mercados \u00e0 safra ga\u00facha de trigo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A boa qualidade do gr\u00e3o colhido no\u00a0Rio Grande do Sul\u00a0e a disponibilidade de volume, estimado em mais de 5 milh\u00f5es de toneladas, diante da quebra de quase 50% na safra do cereal na Argentina, devem assegurar boa comercializa\u00e7\u00e3o\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns consultores e dirigentes setoriais j\u00e1 vinham anunciando que a safra de trigo ga\u00facha n\u00e3o s\u00f3 seria recorde, mas que surpreenderia expectativas quando, aos 11 dias de outubro, a Emater-RS\/Ascar anunciou sua tradicional revis\u00e3o ao progn\u00f3stico produtivo divulgado durante o plantio do ciclo inverno. De um para o outro, viu-se a \u00e1rea plantada subir de 1,41 milh\u00e3o hectares para 1,45 milh\u00e3o de hectares; a produtividade m\u00e9dia sair de 2,82 mil quilos por hectare para 3,32 mil quilos, e a produ\u00e7\u00e3o total estadual estimada em 4,68 milh\u00f5es de toneladas, ante a proje\u00e7\u00e3o de 3,99 milh\u00f5es de toneladas no relat\u00f3rio anterior.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As previs\u00f5es do mercado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A perspectiva de produ\u00e7\u00e3o, calcada em dados concretos, coletados pelos escrit\u00f3rios regionais ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o de todas as lavouras, apontava uma colheita 32% maior que a consolidada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) na safra 2021\/2022. Enquanto isso, analistas e l\u00edderes setoriais j\u00e1 disparavam a expectativa de colheita superior a 5 milh\u00f5es de toneladas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Hamilton Jardim, presidente da\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/agricultura\/pt-br\/assuntos\/camaras-setoriais-tematicas\/camaras-setoriais-1\/culturas-de-inverno\" target=\"_blank\">C\u00e2mara Setorial da Cadeia Produtiva das Culturas de Inverno do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento<\/a><\/strong>\u00a0(Mapa) e coordenador da Comiss\u00e3o de Trigo da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) foi um deles. Mais recentemente, projetou inclusive uma atualiza\u00e7\u00e3o para a \u00faltima estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). \u201cInsisto em um n\u00famero maior que o divulgado pela Conab (4,56 milh\u00f5es de toneladas ante 3,49 milh\u00f5es colhidas em 2021). Acredito que eles dever\u00e3o ser revistos, mas, independente disso, cravo uma safra pr\u00f3xima a 5 milh\u00f5es de toneladas ao trigo\u201d, sentencia. A colheita vem acompanhada de uma qualidade acima dos par\u00e2metros vistos at\u00e9 agora, o que referenda o produto ga\u00facho a abastecer os mais exigentes mercados destinados \u00e0 panifica\u00e7\u00e3o. Na opini\u00e3o de Jardim, o produto \u201cser\u00e1 altamente disputado ao longo da safra\u201d. Os resultados m\u00e9dios qualitativos apontam, segundo a Emater para PH superior a 78. O n\u00famero, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 o balizador oficial de qualidade ao gr\u00e3o e, segundo a associa\u00e7\u00e3o, denota um resultado satisfat\u00f3rio. Por\u00e9m, h\u00e1 registros de PH at\u00e9 84 , ou seja, \u201cde excelente rendimento industrial\u201d, aponta o relat\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com excepcional quantidade e in\u00e9dita qualidade, a produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha passou a figurar no topo da lista dos mercados abastecedores dos moinhos brasileiros. A aten\u00e7\u00e3o cresceu principalmente a partir da \u00faltima semana de setembro, quando a sequencia ininterrupta de chuvas fixou-se no Paran\u00e1. Desde ent\u00e3o, o estado vizinho assiste \u00e0 crescente perda de qualidade na safra, inicialmente projetada em 4,2 milh\u00f5es de toneladas, diz o consultor da Safras &amp; Mercados \u00c9lcio Bento. \u201cPraticamente 50% do trigo tipo 1 foi prejudicado, gerando muito volume excedente aos tipos 2 e 3. Ambos ainda s\u00e3o usados pelas moageiras, n\u00e3o v\u00e3o para ra\u00e7\u00e3o ainda\u201d, ressalva. Ao produtor, no entanto, a remunera\u00e7\u00e3o por ambos, atualmente, est\u00e1 na casa de R$ 400 a menos, por toneladas, na compara\u00e7\u00e3o com o cereal de qualidade superior (tipo 1). \u201cEnquanto o produtor vende a tonelada do tipo 3 a R$ 1,45 mil, chegando, no m\u00e1ximo, a R$ 1,5 mil, comercializa a do tipo 1 a R$ 1,9 mil\u201d, exemplifica o consultor.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o da vizinha Argentina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o para abastecer a ind\u00fastria estaria na Argentina, n\u00e3o fosse a escassez h\u00eddrica e as geadas trazidas pelo\u00a0La Ni\u00f1a\u00a0durante o cultivo deste ano. De acordo com o \u00faltimo Relat\u00f3rio Nacional de Estimativas Mensais da Bolsa de Com\u00e9rcio de Ros\u00e1rio (BCR), a safra argentina, cuja colheita rec\u00e9m iniciou, dever\u00e1 se configurar como a pior dos \u00faltimos sete anos. A perspectiva da BCR \u00e9 fechar este ciclo com 11,8 milh\u00f5es de toneladas ante os 21,6 milh\u00f5es de toneladas contabilizadas no anterior, \u201cum recorde absoluto\u201d, conforme o analista de mercado. Desta forma, com a produ\u00e7\u00e3o reduzida praticamente \u00e0 metade, o pa\u00eds vizinho n\u00e3o conseguir\u00e1 abastecer tradicionais mercados importadores, dentre os quais, o Brasil. \u201cAno passado, o Brasil comprou 6 milh\u00f5es de toneladas de trigo no mercado internacional, sendo 90% proveniente da Argentina\u201d, lembra Bento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Com produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha estimada entre 5,1 milh\u00f5es de toneladas e 5,5 milh\u00f5es de toneladas, conforme a consultoria Safras &amp; Mercado, Bento acredita que a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o ao produtor ga\u00facho, nesta safra, depender\u00e1 tanto do mercado internacional como da demanda paranaense. \u201cHoje, o mercado demanda o trigo ga\u00facho a R$ 1,75 mil a tonelada no\u00a0<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/xn--consultoria%20projeta%20crescimento%20de%2020%25%20em%20exportaes%20de%20soja-mvg02i\/\" target=\"_blank\">porto<\/a><\/strong>, mas paga R$ 1,6 mil internamente, enquanto, no Paran\u00e1, o valor chega a R$ 1,9 mil\u201d, indica. E conclui: \u201cEssa grande diferen\u00e7a se d\u00e1 por conta da super safra ga\u00facha. O produtor \u00e9 que decidir\u00e1 onde colocar\u00e1 o excedente, se no mercado internacional ou em outros estados\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal Correio do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produtividade recorde de Costa Beber foi obtida em uma \u00e1rea de 103 hectares, onde plantou a cultivar TBIO Audaz, da Biotrigo. Nunca o ditado popular \u201cenquanto uns choram outros vendem len\u00e7o\u201d fez tanto sentido para o agricultor ga\u00facho. 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