{"id":13067,"date":"2023-10-17T17:52:46","date_gmt":"2023-10-17T17:52:46","guid":{"rendered":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/?p=13067"},"modified":"2023-10-17T17:54:28","modified_gmt":"2023-10-17T17:54:28","slug":"saude-e-bem-estar-virus-zumbis-estao-acordando-apos-50-mil-anos-devido-ao-aquecimento-do-planeta-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/saude-e-bem-estar-virus-zumbis-estao-acordando-apos-50-mil-anos-devido-ao-aquecimento-do-planeta-entenda\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade e Bem Estar &#8211; V\u00edrus \u2018zumbis\u2019 est\u00e3o acordando ap\u00f3s 50 mil anos devido ao aquecimento do planeta; entenda"},"content":{"rendered":"\n<p>Especialista diz que expedi\u00e7\u00f5es para descobrir pat\u00f3genos que seriam prejudiciais para a humanidade s\u00e3o \u2018uma loucura\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>Acampar durante duas semanas nas margens lamacentas e infestadas de mosquitos do rio Kolyma, na\u00a0R\u00fassia, pode n\u00e3o parecer a mais glamorosa das viagens de trabalho. Mas \u00e9 um sacrif\u00edcio que o virologista Jean-Michel Claverie estava disposto a fazer para descobrir a verdade sobre os v\u00edrus zumbis \u2013 mais um risco que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas representam para a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o planeta j\u00e1 1,2\u00b0C mais quente do que nos tempos pr\u00e9-industriais, os cientistas preveem que o \u00c1rtico poder\u00e1 ficar sem gelo nos ver\u00f5es at\u00e9 2030. As preocupa\u00e7\u00f5es de que o clima mais quente ir\u00e1 libertar gases com efeito de estufa retidos, como o metano, na atmosfera, \u00e0 medida que o permafrost da regi\u00e3o derrete, foram bem documentadas, mas os agentes patog\u00eanicos latentes s\u00e3o um perigo menos explorado. No ano passado, a equipa de Claverie publicou uma investiga\u00e7\u00e3o que mostrava que tinham extra\u00eddo v\u00e1rios v\u00edrus antigos do permafrost siberiano, todos eles infecciosos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, estamos habituados a pensar em perigos que v\u00eam do sul \u2014 disse Claverie numa entrevista no seu laborat\u00f3rio no campus Luminy da Universidade de Aix-Marseille, Fran\u00e7a, referindo-se \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as transmitidas por vetores de regi\u00f5es tropicais mais quentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Agora, percebemos que pode haver algum perigo vindo do norte, \u00e0 medida que o permafrost descongela e liberta micr\u00f3bios, bact\u00e9rias e v\u00edrus \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda est\u00e3o surgindo formas pelas quais isso pode representar uma amea\u00e7a. Uma onda de calor na Sib\u00e9ria no ver\u00e3o de 2016 ativou esporos de antraz, causando dezenas de infec\u00e7\u00f5es, matando uma crian\u00e7a e milhares de renas. Em julho deste ano, uma equipe separada de cientistas publicou descobertas que mostram que mesmo organismos multicelulares poderiam sobreviver \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do permafrost num estado metab\u00f3lico inativo, chamado criptobiose. Eles reanimaram com sucesso uma lombriga de 46 mil anos do permafrost siberiano, apenas reidratando-a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 fundamental do ponto de vista de que podemos parar a vida e depois reinici\u00e1-la \u2014 diz Teymuras Kurzchalia, professor em\u00e9rito do Instituto Max Planck de Biologia Celular e Molecular e Gen\u00e9tica, que esteve envolvido no estudo \u2014 Isso significa que \u00e9 inato a alguns organismos vivos diminuir ou suspender de alguma forma os processos metab\u00f3licos \u2014 explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos, as ag\u00eancias de sa\u00fade globais e os governos t\u00eam monitorado doen\u00e7as infecciosas desconhecidas contra as quais os humanos n\u00e3o teriam imunidade nem terapias medicamentosas. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade adicionou em 2017 uma \u201cDoen\u00e7a X\u201d gen\u00e9rica a uma lista de agentes patog\u00eanicos considerados de alta prioridade para investiga\u00e7\u00e3o e para os quais pretende desenvolver um roteiro para prevenir ou conter uma epidemia. Desde que a pandemia de Covid-19 fechou o mundo durante meses, os esfor\u00e7os apenas se intensificaram.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA OMS trabalha com mais de 300 cientistas para analisar as evid\u00eancias sobre todas as fam\u00edlias virais e bact\u00e9rias que podem causar epidemias e pandemias, incluindo aquelas que podem ser libertadas com o degelo do permafrost\u201d, disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris.<\/p>\n\n\n\n<p>Claverie mostrou pela primeira vez que v\u00edrus \u201cvivos\u201d poderiam ser extra\u00eddos do permafrost siberiano e revividos com sucesso em 2014. Por raz\u00f5es de seguran\u00e7a, sua pesquisa se concentrou apenas em v\u00edrus capazes de infectar amebas, que est\u00e3o suficientemente distantes da esp\u00e9cie humana para evitar qualquer risco de contamina\u00e7\u00e3o inadvertida, mas ele sentiu que a escala da amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica que as descobertas indicaram foi subestimada ou erroneamente considerada uma raridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 2019, a sua equipe isolou 13 novos v\u00edrus, incluindo um congelado debaixo de um lago h\u00e1 mais de 48.500 anos, a partir de sete amostras diferentes do antigo permafrost siberiano. Ao publicar as descobertas num estudo de 2022, ele enfatizou que uma infec\u00e7\u00e3o viral de um pat\u00f3geno antigo e desconhecido em humanos, animais ou plantas poderia ter efeitos potencialmente \u201cdesastrosos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 50 mil anos atr\u00e1s no tempo nos levam \u00e0 \u00e9poca em que o Neandertal desapareceu da regi\u00e3o. Se os neandertais morressem de uma doen\u00e7a viral desconhecida e este v\u00edrus ressurgisse, poderia ser um perigo para n\u00f3s \u2014explica o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>O permafrost, solo que j\u00e1 foi repleto de vida animal, oferece as condi\u00e7\u00f5es perfeitas para a preserva\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica: \u00e9 natural, escuro, desprovido de oxig\u00eanio e permite muito pouca atividade qu\u00edmica. Na Sib\u00e9ria, pode atingir at\u00e9 um quil\u00f3metro de profundidade \u2014 o \u00fanico lugar no mundo onde o permafrost desce t\u00e3o longe \u2013 e cobre cerca de dois ter\u00e7os do territ\u00f3rio russo. Descobriu-se que apenas um grama abriga milhares de esp\u00e9cies de micr\u00f3bios adormecidos, de acordo com um artigo publicado na revista Nature em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante 400.000 anos, as camadas subjacentes do permafrost permaneceram em grande parte est\u00e1veis. Tanto \u00e9 verdade que cidades russas surgiram em toda a Sib\u00e9ria, perfurando profundamente as suas funda\u00e7\u00f5es no solo congelado. Mas agora, com o \u00c1rtico a aquecer mais rapidamente do que qualquer outra \u00e1rea do planeta, abriram-se vastas crateras de metano em toda a regi\u00e3o e cidades inteiras podem afundar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, a geopol\u00edtica criou novos pontos cegos. Organizar viagens \u00e0 Sib\u00e9ria e colaborar com laborat\u00f3rios russos n\u00e3o era f\u00e1cil, mesmo antes de a R\u00fassia invadir a Ucr\u00e2nia em Fevereiro de 2022. Mas as comunica\u00e7\u00f5es com antigos colegas e colaboradores no pa\u00eds est\u00e3o praticamente interrompidas. O laborat\u00f3rio de Claverie, juntamente com muitos outros em todo o mundo ocidental, s\u00e3o financiados pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos do aquecimento global na Sib\u00e9ria representam riscos e recompensas para a economia russa. Estima-se que o degelo do permafrost esteja a colocar em risco infraestruturas no valor de cerca de 250 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares e j\u00e1 se pensa que tenha contribu\u00eddo para desastres ambientais como o derrame de petr\u00f3leo de Norilsk em 2020, \u00e0 medida que o solo se torna inst\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a regi\u00e3o tamb\u00e9m possui uma riqueza de recursos naturais \u2014 carv\u00e3o, g\u00e1s natural, ouro, diamantes e min\u00e9rio de ferro. Ao contr\u00e1rio de outras regi\u00f5es cobertas de permafrost, como o Alasca e a Groenl\u00e2ndia, Claverie diz que a R\u00fassia tem sido mais ativa na minera\u00e7\u00e3o destes solos: \u201cEst\u00e3o a cavar buracos por todo o lado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns cientistas tamb\u00e9m temem que a tecnologia \u2014 como a central nuclear flutuante da R\u00fassia, Akademik Lomonosov \u2014 possa transformar \u00e1reas anteriormente inacess\u00edveis ao longo da costa da Sib\u00e9ria em centros mineiros, \u00e0 medida que as rotas sem gelo atrav\u00e9s do C\u00edrculo \u00c1rtico aumentam a acessibilidade. A explora\u00e7\u00e3o destas profundidades mais profundas, para al\u00e9m da camada ativa que descongela todos os ver\u00f5es, aumentaria a possibilidade de intera\u00e7\u00e3o humana com um antigo agente patogenico potencialmente prejudicial, diz Claverie.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto tamb\u00e9m sublinha o dilema intr\u00ednseco \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o \u2014 que ca\u00e7ar a pr\u00f3xima grande amea\u00e7a para a humanidade poderia inadvertidamente propagar o perigo. O potencial de contamina\u00e7\u00e3o cruzada durante expedi\u00e7\u00f5es de amostragem \u00e9 alto. Como tal, alguns est\u00e3o a come\u00e7ar a defender abordagens menos proativas e que necessitam de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Seria bom estabelecer uma forma especializada de acompanhar a popula\u00e7\u00e3o Inuit, por exemplo, para ver que tipo de doen\u00e7as eles contraem. E se houver algo vindo do permafrost, seremos capazes de captur\u00e1-lo muito mais rapidamente \u2014 diz Claverie.<\/p>\n\n\n\n<p>As grandes organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o a acordar para este risco. No in\u00edcio deste m\u00eas, a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional abandonou o seu projeto de 125 milh\u00f5es de d\u00f3lares para ca\u00e7ar v\u00edrus no Sudeste Asi\u00e1tico, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina que poderiam potencialmente infectar seres humanos, devido a preocupa\u00e7\u00f5es de que a pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o pudesse desencadear uma pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, Claverie n\u00e3o regressar\u00e1 \u00e0 Sib\u00e9ria, independentemente do resultado da guerra. Ele diz que afirmou que o perigo existe e que expedi\u00e7\u00f5es para descobrir mais segredos enterrados nessas profundezas congeladas seriam uma loucura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quanto mais velho voc\u00ea fica, melhor voc\u00ea se torna em filosofia. Talvez seja melhor deixar essas coisas de lado \u2014 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se inscreva em nosso canal do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@tvnativoos\">youtube.com\/@tvnativoos<\/a>,\u00a0<\/strong>curta nossa p\u00e1gina n<strong>o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tvnativoos\">facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvnativoos\/\">instagram<\/a>\u00a0e veja nossa programa\u00e7\u00e3o ao vivo pelo canal 6 da Claro Net ou pelo portal\u00a0<a href=\"http:\/\/tvnativoos.com.br\/wfe\/\">tvnativoos.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Globo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista diz que expedi\u00e7\u00f5es para descobrir pat\u00f3genos que seriam prejudiciais para a humanidade s\u00e3o \u2018uma loucura\u2019 Acampar durante duas semanas nas margens lamacentas e infestadas de mosquitos do rio Kolyma, na\u00a0R\u00fassia, pode n\u00e3o parecer a mais glamorosa das viagens de trabalho. 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