Secretaria da Saúde de Tramandaí esclarece como é feita a transferência de pacientes a hospitais

Uma das situações mais complexas do sistema de saúde é a espera por leitos e a transferências de pacientes das unidades de saúde para os hospitais. Muitas vezes o paciente pode ter que aguardar longos períodos até ser encaminhado a um hospital. E em Tramandaí esta situação faz parte da realidade no dia a dia.
Conforme a secretária da Saúde de Tramandaí, Carin Meyer, existe um sistema informatizado usado no Sistema Único de Saúde (SUS) para controlar e gerenciar a ocupação de leitos clínicos e hospitalares em tempo real denominado GERINT ( Gerenciamento de Internações) que organiza os pedidos de internação de urgência ou eletivos por ordem de gravidade e tempo de espera.


“Quando um paciente é atendido em um serviço de saúde do município e o médico identifica que ele precisa de internação, avaliação especializada ou de algum recurso que aquele serviço não oferece, é necessário solicitar a transferência para um hospital. A solicitação é inserida no GERINT e passa pelo processo de regulação, que considera a necessidade clínica do paciente, as referências estabelecidas e a disponibilidade de leitos na rede hospitalar.” Disse a secretária.
Carin destaca que esta regulação não é feita pelo município e sim pela Secretaria da Saúde do Estado (SES/RS), por meio do Departamento de Regulação Estadual (DRE). “Ou seja, quando o município tem um paciente que precisa de internação ou transferência para um hospital, não podemos simplesmente escolher uma instituição e encaminhá-lo. A solicitação é inserida no GERINT e passa pelo processo de regulação.” Ressaltou Carin.


“A Secretaria Municipal de Saúde não tem autonomia para liberar a vaga, escolher livremente o hospital que receberá o paciente ou determinar quanto tempo a transferência levará. O município realiza a solicitação e mantém toda a assistência necessária ao paciente enquanto aguarda o andamento da regulação e a disponibilização da vaga hospitalar. ” Salientou a secretária.
Enquanto a vaga não é disponibilizada, o paciente precisa permanecer no serviço de origem recebendo toda a assistência necessária. Na UPA, por exemplo, isso significa manter pacientes ocupando leitos por horas ou até dias enquanto aguardam transferência.
Com menos leitos disponíveis e uma demanda contínua, o fluxo interno fica comprometido e os períodos de espera podem aumentar. Por isso, nem sempre a lotação percebida pela população está relacionada apenas à quantidade de pessoas que procuram atendimento naquele momento.
“Quando temos vários pacientes nessa situação ao mesmo tempo, o impacto acaba sendo maior. Na UPA, os leitos permanecem ocupados enquanto novos atendimentos continuam chegando, a equipe precisa dar assistência tanto a quem aguarda transferência quanto aos novos pacientes e todo o fluxo acaba ficando sobrecarregado. É nesse sentido que falamos que o município acaba ficando “refém” do GERINT. Existe um limite até onde conseguimos avançar: o paciente é atendido, avaliado, estabilizado quando necessário e a transferência é solicitada, mas, a partir daí, precisamos aguardar a regulação e a disponibilização da vaga hospitalar.” Finalizou a secretária Carin Meyer.
Muitas vezes a demora na liberação de leitos se dá por superlotação nos hospitais ou desativação de leitos. Segundo o Cremers ( Conselho Regional de Medicina do RS), houve uma redução de 679 leitos hospitalares entre 2024 e 2026 no RS. Segundo dados de 2025, o RS tem disponível 29.820 leitos.
O que é e como funciona a regulação de internações no SUS do RS
O GERINT é o sistema de gerenciamento de internações em leitos clínicos e hospitalares do SUS no Rio Grande do Sul, ele permite uma qualificação na busca por vagas a partir de um mapa de ocupação de leitos atualizado em tempo real. Na prática, a central de regulação enxerga a disponibilidade de leitos em todo o território e pode transferir e compartilhar pacientes entre regiões com base em informação real, não em telefonemas e planilhas. O sistema organiza a fila com base na ocupação real dos hospitais. Se não há leitos livres adequados ao quadro do paciente, a solicitação continua pendente.
Secretaria da Saúde de Tramandaí.

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