Em novo revés, investigação comercial dos EUA sugere taxação do Brasil e de outros 59 países em 12,5% devido à presença de trabalho forçado
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, nesta terça-feira (2/6), que o Brasil falhou em barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado, o que criaria concorrência desleal e justificaria nova taxa a produtos brasileiros. A tarifa adicional proposta é de 12,5%.
O documento elenca a presença de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, inclusive citando a presença de produtores agropecuários na Lista Suja do Trabalho Escravo. Também afirma que 90% das exportações de carne bovina brasileira congelada, em 2025, foram para países que estão sendo investigados, como para a China.
No relatório, é feita correlação entre o aumento das exportações do Brasil para a China e a queda das norte-americanas para o mesmo país. “Em volume, as exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China aumentaram mais de 17 vezes, passando de 94 mil toneladas métricas em 2015 para quase 1.650 mil toneladas métricas em 2025. As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações americanas de carne bovina congelada para a China, que têm apresentado uma tendência de queda nos últimos anos”, destaca.Play Video
Outros produtos exportados pelo Brasil também são elencados, como o algodão, que estaria indo para países investigados. As importações brasileiras também foram analisadas. Segundo o documento, o Brasil e outros países investigados importam os mesmos produtos de países com presença de trabalho escravo e dos Estados Unidos, o que seria concorrência desleal.
“Por exemplo, entre 2021 e 2025, as economias investigadas importaram arroz de Mianmar, tabaco do Malawi ou algodão da China, enquanto, ao mesmo tempo, importaram um ou mais desses produtos dos Estados Unidos. Consequentemente, parece haver competição nesses mercados entre as exportações dos EUA e os bens importados que apresentam risco de trabalho forçado”, diz.
Veja as principais justificativas:
- Falha em impor proibição legal: o Brasil está incluído na lista de 54 economias que falharam em impor proibição legal à importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado. Embora o Brasil alegue proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da implementação de seus compromissos em acordos de investimento e acordos de livre comércio, o documento afirma que essas disposições não proíbem legalmente a importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado de outra economia para o mercado doméstico para venda.
- Falha em aplicar efetivamente uma proibição: o Brasil também está incluído na lista de economias que falharam em aplicar efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado. Na ausência de uma proibição legal de importação de trabalho forçado, não há proibição para o Brasil aplicar efetivamente.
- Irrazoabilidade e restrição ao comércio dos EUA: a falha do Brasil em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado é considerada irrazoável e restringe o comércio dos EUA.
- Trabalho forçado na produção de carne bovina: o documento menciona que é bem documentado que o trabalho forçado é usado na produção de gado no Brasil. Um estudo independente sugere que pecuaristas no Brasil estão na “Lista Suja” do Brasil.
- Exportações de carne bovina congelada: o Brasil é um grande exportador de carne bovina congelada. Em 2025, 90% das exportações de carne bovina congelada do Brasil foram para as economias investigadas. O volume das exportações de carne bovina congelada do Brasil para as economias investigadas quase dobrou entre 2015 e 2025.
- Concorrência com exportações dos EUA: as exportações de carne bovina congelada do Brasil para a China aumentaram significativamente, superando as exportações dos EUA para a China. O valor unitário médio da carne bovina importada da China do Brasil em 2025 foi 41% menor do que o dos EUA, sugerindo uma vantagem de custo. A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado para a carne bovina do Brasil concedeu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência.
- Dados de exportação de algodão: o Brasil importou algodão da China entre 2021 e 2025, com valores de importação variando de 57 milhões de dólares em 2022 para 63 milhões de dólares em 2025.
- Concorrência distorcida nos EUA: o Brasil é listado como uma economia que importou insumos de trabalho forçado (alumínio, algodão, cacau, café, níquel, amendoim, polissilício, arroz, tabaco) e exportou produtos a jusante para os Estados Unidos entre 2021 e 2025, o que indica concorrência distorcida no mercado dos EUA.








